Em Nobres ainda resiste à crença em voto de cabresto e transferência de espólio político

Há pouco mais de 120 kms da capital do estado, Cuiabá, o município de Nobres ainda convive com políticos que acreditam "mandar" no eleitor e fazem acordos de bastidores para buscar benefício próprio em troca dos supostos votos coletivos que acredita seja detentor. Fábula ou não, essa crença ainda permanece arraigada no sistema político local, bastando ver, a cada quatro anos, o exercício dessa prática como se vivêssemos no Brasil Colonial. (Foto: na Roda d'Água - moderno sistema de captação de água para uso doméstico)

"Vou eleger fulano de tal com os 'meus' votos", essa é a sensação que chega ao conhecimento público a cada quatro anos, onde supostos detentores de votos coletivos fecham acordos espúrios na tentativa de iludir os futuros adquirentes de meras promessas, ao melhor estilo do conhecido conto do bilhete premiado.
Mesmo com as ferramentas das redes sociais, das mídias ao dispor dos cidadãos, ainda é possível ver esse tipo de manobra, e o pior, isso ainda encontra guarida em meio aos incautos "compradores" de ilusão.
Permanece entre os comunitários, aqui ou acolá, a visão distorcida de que um mero favor deva ser pago com o que de melhor o eleitor tenha, que é o seu voto, o seu maior patrimônio e o exercício de cidadania mais exemplar com que uma população pode contar. Por trás de tudo isso se difunde a vaga ideia de que este ou aquele político possa agarrar (com unhas e dentes) o espólio eleitoral de alguém que perdeu o poder de reinar.

Em meio a esse cenário ilusório, para garantir um ar de seriedade em tudo, ainda é possível encontrar um sujeito que se apresenta oculto e pronto a dar o bote, ao melhor estilo da onça faminta. São os "fabricantes" de dados de pesquisa, que embalam o seu "produto", não sem antes maquiá-lo ao gosto do cliente, e entregam, a domicílio, aqui ou acolá.

Infelizmente, a maioria absoluta da população do município ainda não tem acesso à rede mundial de computadores e muita gente ainda é "analfabeta digital", para não se falar no grau de instrução da maioria dos eleitores e de candidatos também.
Pior que isso é saber que a cidade de Nobres, com cerca de 10.000 habitantes na zona urbana, ainda não possui sequer um único metro de rede de esgoto, apesar de se encontrar em franca expansão demográfica. 


O sistema de saúde pública é ineficaz e os gestores públicos acreditam que modificar estrutura física de prédios públicos seja políticas públicas do setor.
As ruas de alguns bairros da cidade se encontram em estado deplorável, apenas com encascalhamento e o tempo seco, com a baixa umidade do ar verificada, causa problemas respiratórios de toda sorte. O município tem como base de apoio a contratação dos serviços médicos hospitalares de um hospital conveniado que, quando recebe os valores que lhe são devidos, tem que comemorar.

A prestação de serviço público é comprometida com o atraso nos salários que se verificam, quase sempre, em períodos tais, quando a contenda política ganha força.
E é assim que o município de Nobres resiste, graças à participação salutar das indústrias, do comércio e das atividades agrícolas rurais praticadas no campo, com a população entregue a própria sorte, sem estradas e com a educação comprometida pelas chuvas. Menos mal agora, quando estamos no período de estiagem. Na zona rural, aí sim, a questão da saúde pública mostra de fato todas as suas deficiências, com períodos onde faltam medicamentos básicos, aqueles da cesta de medicamentos básicos que são adquiridos em convênio com o governo federal.

Mas nada é tão forte e tão arraigado quanto a crença na apropriação do voto, que é único e pertence a cada eleitor. É o momento mais ilegítimo do sistema político, a crença na transferência coletiva de votos, de um a outro candidato.
Infelizmente, no Século 21 ainda ocorre isso, ao menos na crença, de que o eleitor possa ser preso a um cabresto e levado ao local de votação para acatar uma ordem ou realizar ali o desejo daquele que um dia lhe prestou um favor e se apossou do seu voto.

É de se acreditar que isso se apresente apenas com uma crença e jamais seja real ou factível. Mas não se descarta a presença desse "fantasma" a rondar os meios políticos locais, num arrastar de correntes pelas ruas maquiadas de nossa pobre/rica cidade, que tem o dinheiro mas não sabe gastar ou gasta mal o que tem.

Por: Benedito/Tribuna de Nobres
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