(ENTREVISTA) - O poder dos inusitados


Por:  Benedito Souza

No município de Nobres, mesmo os que viveram os primeiros anos de emancipação política e administrativa, que data de 1965, e os jovens de hoje, entre 16 a 25 anos, seguramente, ninguém viu ou vivenciou os acontecimentos inusitados que se registram nos dias atuais na gestão administrativa de Nobres. É tudo novo no campo político e administrativo a partir do que se vê e se ouve; do que mais se ouve, principalmente. Em um dado momento da história recente de Nobres, até que tivemos algo mais ou menos parecido, por volta de 1993, no primeiro ano de gestão da então prefeita Lídia Barbosa, quando o chefe do gabinete institucional daquele período, médico Luiz Gonzaga Nogueira Barbosa, decidia em determinadas ocasiões e a gestora acatava. Mas foram em situações esporádicas e aleatórias, vivenciadas pelo jovem vereador Devair Valim de Melo, entre 1993 a 1996.

16 anos depois, eis que fatos inusitados começam a surgir em Nobres, em mesmo ambiente, agora protagonizados pelo ex-prefeito Devair Valim de Melo, derrotado nas eleições municipais de 2.000 e desde então nunca mais voltou ao poder de forma direta. O fenômeno, bastante anormal, começa a surgir agora, quando o ex-prefeito Devair Valim de Melo passa a assumir publicamente que é ele quem tem dado direcionamento ao governo municipal e caso o atual prefeito seja reeleito, será ele o real "general" da tropa. Hoje, o próprio Devair Valim, em conversas informais com várias pessoas, assume que Nobres passou a ter dois prefeitos, um de fato e o outro por direito. A atual administração passou a ser dependente das ações que são direcionadas pelo ex-prefeito Valim de Melo, contradizendo total e amplamente os posicionamentos políticos do prefeito José Carlos da Silva que dizia não querer aliança com Devair Valim pelo risco de ganhar 100 votos aqui e perder 1.000 ali. 

Mas o pior desse contexto e que o torna inusitado, é a dependência do governo em relação ao ex-prefeito Valim como restou demonstrado a partir de um documento apresentado pelo vereador Silvestre Campos, alertando para um quadro de inadimplência por conta do descaso da assessoria da Prefeitura de Nobres, o que faria com que o município perdesse convênio. Consta que Devair tomou a frente da situação e conseguiu 30.000 litros de óleo diesel junto ao governo do estado, deixando demonstrado claramente que o governo está cambaleante e dependente de quem não está no exercício de mandato ou em função pública de assessoramento. Três anos e cinco meses com as estradas rurais em condições precárias e eis que o novo "prefeito", auto nomeado, decide que é hora de recuperar as estradas. Se isso não é incapacidade gerencial dos titulares do governo, o que vem a ser essa realidade?

Devair já anuncia que vai alocar recursos para que o prefeito cumpra o seu dever de ofício, de romper com o 'confisco' dos valores do fundo de pensão e colocar os créditos em dia, tanto os que são apropriados da folha quanto os encargos sociais patronais. Se isso não é uma demonstração clara de que o município de Nobres encontra-se "desgovernado" e à mercê de um prefeito "externo" e sem poder ser votado nas urnas, qual outra nomenclatura a esse fenômeno administrativo? 

Confisco de valores da folha e não creditados ao fundo de pensão, empréstimos realizados à revelia do titular da conta, o servidor público municipal é o atingido diretamente nesse tipo de blefe administrativo; atrasos salariais; perdas salariais consideráveis e um sistema público de saúde pífio, onde se trabalha muito e os resultados não aparecem; falta de medicamentos nos postos de saúde e condições insalubres de trabalho; gastança desordenada com shows artísticos que representam um verdadeiro festival de pão e circo; a descoberta de almoxarifado fictício com trocas de produtos por outros diferenciados do que consta da nota fiscal; esse é o quadro que vemos e que temos, apesar da inegável presença de dois prefeitos num mesmo município, contrariando a Lei da Física que diz que dois corpos não ocupam um mesmo lugar no mesmo espaço.

O município de Nobres ainda não havia vivenciado fatos inusitados semelhantes e partindo desse pressuposto, é possível questionar: "em que direção caminhamos?". O abismo é logo ali e não se administra se utilizando da terapia regressiva ou da hipnose em busca de vidas passadas, há um mundo real e de uma gama de necessidades administrativas coerentes e responsáveis. Há uma separação abissal entre o real e a fantasia, entre fato e direito, que nos leva a crença de que as ações contradizem as palavras, e em que vamos acreditar daqui em diante?
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