Mato Grosso lidera produção de teca, Nobres e Rosário ajuda no ranking com 5%

Mato Grosso tem a maior área plantada com teca do Brasil e de todos os países da América Latina. Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta/MT) estima que o cultivo da espécie no Estado esteja em cerca de 60 mil hectares este ano, avanço de 361% nos últimos 12 anos, já que no ano 2000 eram 13 mil (ha). Volume de madeira produzido evoluiu na mesma proporção, avançando de 20 mil toneladas para 100 mil toneladas de toras na mesma base de comparação, expansão de 400%. Atrás de Mato Grosso, em área cultivada, aparecem o Panamá com 50 mil (ha), Equador com 40 mil (ha) e Costa Rica com 30 mil (ha).

Presidente da Arefloresta, Fausto Takizawa, conta que a teca é cultiva no Estado desde a década de 1970, mas foi a partir dos anos 90 que plantio começou a acelerar como alternativa de reflorestamento e também com foco comercial. Para se ter uma noção, o metro cúbico (equivalente a uma tonelada) pode custar de US$ 200 a US$ 600, sendo bastante atrativo para investidores. Produção estadual está localizada, principalmente nos municípios de Cáceres, São José dos Quatro Marcos e Porto Esperidião, concentrando cerca de 70% da área plantada. Outros 20% estão localizados na região norte mato-grossense em Juara, Alta Floresta e São José do Rio Claro. Também é cultivada em Nobres (5% da área) e Rosário Oeste e Água Boa (outros 5%).

“Crescimento registrado é motivado pelas condições apresentadas pelo Estado que tem solo propício e clima favorável. É um investimento seguro, já que tem empresas atuando há muitos anos”, diz Takizawa ao acrescentar que a cultura atrai tanto pessoas físicas quanto jurídicas que veem na teca uma espécie de investimento a médio e longo prazos. A teca produzida em Mato Grosso é direcionada, basicamente, ao mercado externo, com exportação principalmente para o sudeste asiático e Europa, que compra a madeira bruta e serrada para ser processada e transformada em móveis, e aproveitada na construção civil (portas e janelas).

Características - A teca é uma cultura a médio e longo prazos, pois o corte ocorre quando a árvores atinge em média 30 metros de altura, o que leva cerca de 20 anos. “Mas com a tecnologia e o aprimoramento genético esse período pode ser reduzido para até 16 anos”, observa Jaldes Langer, proprietário do Viveiro Flora Sinop, localizado na cidade de mesmo nome. Ele conta que produz cerca de 1 milhão de mudas de teca por ano, além de eucalipto, mogno africano e mudas nativas. Cada muda de teca custa entre 70 centavos e R$ 2, dependendo da semente (se é clonada ou não).

Na opinião de Langer, que também é presidente do Fundo de Apoio à Madeira (Famad) afirma que a tendência é que a produção de teca e de outras espécies para reflorestamento em Mato Grosso é de crescimento, proporcional à evolução do setor do agronegócio, “que avança entre 15% e 20% a cada ano”.

Custos - As maiores despesas estão concentradas nos 3 primeiros anos de desenvolvimento da planta, com aquisição da terra, preparo do solo, aquisição de mudas e mão de obra. Neste período são aplicados entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil por hectare dependendo da escala (tamanho da área) e do tipo de muda (clone). “Oitenta por cento deste valor é gasto nos 2 primeiros anos”, diz Takizawa ao complementar que os produtores geralmente fazem a integração com outras culturas e até mesmo com a criação de animais, a chamada integração lavoura-pecuária-floresta. Ele também é diretor da Floresteca, empresa que sozinha, detém 40% da área plantada com teca em Mato Grosso, com cerca de 24 mil hectares em Cáceres, Barra do Bugres e Rosário Oeste.
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