70 mil turistas são esperados em MT durante o Mundial

A Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa) começa a trabalhar, já este ano, na organização da logística de acomodação e turismo, bem como na preparação da cidade para a realização do Mundial de Futebol em junho de 2014.

Em entrevista ao MidiaNews, o secretário Maurício Guimarães afirmou que o ano não será apenas de entrega das obras de infraestrutura e mobilidade urbana, mas também de organização da sociedade para receber o contingente de 70 mil turistas esperados na cidade durante os 30 dias de evento no país.

“Efetivamente, a Secopa começa a trabalhar com evento também em 2013. Porque o evento é, senão igual, maior do que as obras. O padrão de exigências da FIFA [Federação Internacional de Futebol] é muito alto”, afirmou.

"Isso [embelezamento da cidade] é algo que não dá de fazer de forma muito antecipada. Infelizmente, nós não temos uma cultura que permita às pessoas conservarem isso por muito tempo"
Entre as exigências da FIFA, está uma verdadeira “repaginação” da cidade, além de preparação da sociedade para atender os turistas e até mesmo realizar a hospedagem deles em suas residências, um serviço conhecido como “Cama e Café”, que já existe em algumas cidades turísticas do país.

Segundo Guimarães, já há um programa sendo executado na pasta com o nome de “Embelezamento da Cidade”, que deverá ser posto em prática em parceria com a Prefeitura de Cuiabá.

“A gente não vai ‘maquiar’ a cidade para a Copa do Mundo. Mas isso [embelezamento da cidade] é algo que não dá de fazer de forma muito antecipada. Infelizmente, nós não temos uma cultura que permita às pessoas conservarem isso por muito tempo”, explicou.

Como exemplo, o secretário citou toda a readequação viária e obras de acessibilidade que deverão ser realizadas no entorno da Arena Pantanal, em um raio de 20 km – projeto que já está licitado e contratado, segundo o gestor.

“Tem coisas, por exemplo, que precisam ser feitas em volta da Arena, como refazer e pintar as calçadas e fazer as rampas de acesso. Se eu fizer todo esse trabalho agora, por exemplo, vai ter gente passando com o carro por cima, quebrando, pichando. A mesma coisa é o embelezamento da cidade. Eu preciso trabalhar essa cidade inteira, dar uma identidade visual para ela”, argumentou.

Sem comida


Um estudo feito pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) revelou alguns obstáculos que a Capital precisará enfrentar para sediar o evento, como, por exemplo, o problema de desabastecimento de alimentos na cidade durante o Mundial, uma vez que os nossos principais estados fornecedores também estarão recebendo a Copa.

“Nós contratamos um estudo que aponta que, se a Copa fosse hoje, nós teríamos um déficit de abastecimento, sim, pelo número de gente concentrada em um mesmo lugar. Isso aconteceria, principalmente, porque quem vem para a Capital não vai buscar consumir o que está estocado, mas sim o que há de novo no mercado. Agora, tudo isso já está sendo trabalhado”, afirmou.

"Nós contratamos um estudo que aponta que, se a Copa fosse hoje, nós teríamos um déficit de abastecimento pelo número de gente concentrada em um mesmo lugar"
Acomodação e Hospitalidade


Durante a Copa do Mundo, a falta de leitos é algo que preocupa os organizadores do evento, uma vez que a previsão é de que os hotéis da cidade comportem até 14 mil pessoas – o que não representa nem 25% do número esperado de visitantes.

“Hoje nós temos que buscar a sociedade organizada, como Rotary Club, Lions e maçonaria. No caso deles, eu tenho duas ações: hospedagens e voluntariado. Não sei quantas pessoas são ligadas a eles. Mas, por exemplo, se eu tiver mil pessoas que puder, cada uma, hospedar um casal em sua residência, posso hospedar cinco mil pessoas com elas. Pessoas que não vão usar a rede hoteleira”, disse.

Guimarães ressaltou que toda a sociedade será envolvida no processo ainda este ano, passando por cadastramento e treinamento de serviços de hospitalidade e hospedagem no programa “Cama e Café”.

“Tudo isso nós temos que vamos fazer este ano, mas em parceria com a FIFA. Vai chegar o momento de cadastrar as pessoas e as casas, explicar como funciona o ‘Cama e Café’, ver se tudo está atendendo às exigências e padrões da FIFA”, explicou.

Uma das ideias da Secopa é inserir não apenas os cuiabanos, mas a população das cidades próximas, no processo de hospedagem.

“A minha ideia é fazer de Santo Antônio do Leverger, por exemplo, um grande hotel. Porque as pessoas já tem tradição de alugar suas casas em períodos de festas, como o Carnaval. Dá para fechar uma parceria, pintar toda a cidade e as pessoas hospedadas lá, vão consumir lá. O ganho deles será imenso”, disse o secretário.

Segundo Guimarães, falta apenas fechar algumas alianças políticas para que os projetos saiam do papel.

“Para tudo isso funcionar, só falta articulação política, vontade de fazer, pintar a cidade, limpar, arrumar os restaurantes, os estabelecimentos. Não dá 
"Nós não podemos errar agora, na hora de colocar a cereja no bolo. E não vamos."
pra fazer todo esse cadastramento um ano antes, por exemplo. Mas a gente quer chegar ao final de 2013 com todos os cadastros e mapeamentos feitos”, afirmou.

Legado


Segundo o secretário, as obras e projetos estão sendo antecipados em décadas de trabalho em função da Copa do Mundo, mas os benefícios não serão colhidos pela população apenas durante a realização do evento.

“A expectativa é de que cada turista fique em média quatro dias aqui. Essas pessoas vão circular pelo país. E onde elas vão escolher para ficar mais dez dias? Onde elas se sentirem melhor”, afirmou.

Guimarães ressaltou que o ano de 2013 será de trabalho dobrado, tanto em questões de obras viárias quanto na preparação de infraestrutura de turismo e hospedagem.

“Nós temos a chance de colocar Cuiabá em outro contexto nacional. Então, nós não podemos errar agora, na hora de colocar a cereja no bolo. E não vamos”, disse.
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