Cabelereiro atualiza Facebook de dentro do presídio


A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) abriu um processo disciplinar contra o cabelereiro Elielson Gonçalves Vieira, 41, preso desde o dia 7 dezembro de 2012, no Centro de Ressocialização de Cuiabá, no bairro Carumbé.

Na sexta-feira (11) da semana passada, o cabelereiro postou, via celular, uma foto na rede social Facebook. Na fotografia, Elielson está com um amigo que teria ido lhe visitar. A legenda da foto diz: “Nós conversando! Mais a noite eu posto detalhes, estou teclando escondido, rs”.

A Sejudh apurou que a foto foi feita pelo celular do amigo de Elielson, que é advogado e usou a carteirinha da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para entrar no presídio com o aparelho.

A secretaria também enviou um ofício para a OAB/MT comunicando a conduta do advogado e cobrando um posicionamento da Ordem sobre o caso.

O cabelereiro foi preso em flagrante pela Polícia Federal (PF) após receber um carregamento de 239 comprimidos de ecstasy. A droga chegou por meio de encomenda, via Sedex, dos Correios, endereçada para Elielson e entregue na portaria do edifício Eldorado, nas proximidades do Pantanal Shopping Center.
Um dos advogados de defesa de Elielson afirmou que não foi seu cliente que postou a foto, e sim, o advogado que foi visitá-lo, pra quem o cabeleireiro passou o login e a senha do Facebook. 
Fragilidade do sistema 
O presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários de Mato Grosso (Siagespoc/MT), João Batista, disse ao MidiaNews que o uso de celular dentro das unidades é constante e apenas reflete a fragilidade do sistema prisional e a falta de investimentos na área.

“Infelizmente isso é o retrato da falta de investimento. Se tivessem bloqueadores de celular, não havia presos comandando crimes de dentro do presídio. São 10 agentes prisionais para vigiar uma população de 1,2 mil presos. Temos poucos detectores de metais e os familiares já sabem como burlar a vistoria. Advogados também levam celulares, carregadores e até drogas. Não descartamos a participação de agentes, mas geralmente é a família ou o advogado que entra com os aparelhos”, disse.

A Sejudh informou ainda que as atualizações em rede social, feitas de dentro do Centro de Ressocialização, ocasionaram uma vistoria em toda a unidade, dentro das celas, para averiguar o uso de aparelhos celulares dentro da unidade, mas nada foi encontrado, segundo a assessoria.

Prisões em flagrante 
Conforme o MidiaNews já informou, Elielson Vieira, Renato Braz de Araújo, 24, e Juracy Campos Júnior, 25, foram presos em flagrante por agentes da Polícia Federal, no dia 7 de dezembro de 2012, por volta das 20h, no edifício Eldorado, em Cuiabá.

O auto de prisão foi assinado pelo agente da Polícia Federal Paulo Savério Brandão de Sá. No documento, ele afirmou que recebeu informação, do Centro de Redistribuição dos Correios de Várzea Grande, de que havia uma encomenda com as características da droga sintética.

O envelope estava endereçado para a Avenida Hélio Ribeiro. A partir daí, agentes da PF entraram em contato com o carteiro responsável pela entrega e o acompanharam. Por volta das 13h, a entrega foi feita, mas o cabeleireiro não estava no local.

Em seguida, os agentes montaram campana próxima à guarita do edifício. Por volta das 17h, Renato e Juracy chegaram ao local e perguntaram sobre a encomenda. O porteiro disse que a entregaria somente ao destinatário.

Os dois disseram, então, que o próprio cabeleireiro pegaria o envelope, à noite. Eles estavam em um veículo Sonata, de cor prata. Por volta das 20h, o cabeleireiro e Renato chegaram no mesmo veículo, de propriedade de Elielson. Juracy estava do lado de fora do prédio, mas entrou no carro antes de entrarem na garagem.

Na sequência, os agentes da Polícia Federal se posicionaram no saguão do edifício. Sozinho, o cabeleireiro desceu até a portaria, assinou um recibo dos Correios e retirou a encomenda. Ao ser abordado pela PF, o cabeleireiro foi questionado sobre o conteúdo da encomenda, que, em seguida, foi aberta, confirmando-se tratar de substância parecida com ecstasy.

Os agentes, então, subiram até o apartamento com o cabeleireiro e abordaram os outros dois. Em seguida, todos foram levados à sede da Polícia Federal.

O cabeleireiro está detido no Centro de Ressocialização de Cuiabá (antigo Carumbé), e os outros dois, na Penitenciária Central do Estado, no bairro Pascoal Ramos, na Capital.

Veja a postagem:
Arquivo pessoal


Por: Midia News
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