A maçonaria e o caos em que vivemos

No próximo dia 1º. o Grande Oriente do Estado de Mato Grosso, uma das três potências maçônicas do Estado, vai realizar eleições para a escolha do Grão-Mestre que a dirigirá pelos próximos três anos. Aos olhos da sociedade, é uma eleição interna de um segmento social. No entanto, é muito mais. Em recente livro, entre outros semelhantes, “Templos Secretos”, o escritor cuiabano Alex Matos traça a participação da Maçonaria na vida do Estado nestes dois últimos séculos e meio. Não houve nenhum movimento político, econômico e cívico relevante em que a Ordem não fosse da linha de frente, quando não a condutora.

"É preciso ter a capacidade de construir um projeto estratégico para o momento estratégico que vive o país e, especialmente, Mato Grosso"
Minha ligação pessoal com a Maçonaria data de 40 anos, iniciada em Brasília, em 1973. Desde 1976 em Mato Grosso estive dentro ou por perto dessa história recente da Ordem. A eleição do dia 1º torna-se muito relevante, porque vem num momento em que os sistemas de gestão pública e política do país estão esgotados e a sociedade está sofrendo as consequências do caos institucional na educação, na saúde, na segurança pública, na ordem familiar, e nos eventos cruéis como a corrupção, o esfacelamento e morte dos partidos políticos, a ditadura tributária, a ineficiência generalizada, resultando tudo numa perigosa derrocada dos poderes constitucionais que regem o Estado brasileiro.

A Maçonaria tem em seus quadros representantes qualificados do mundo profissional liberal, do serviço público, do mundo empresarial, do mundo intelectual, da imprensa, de igrejas, da magistratura, parlamentares e muitos jovens, ancorados em forte base espiritual e filosófica milenar. Ela tem, portanto, forte representação diante da sociedade que dela espera uma voz de iniciativa capaz de dar ombrear-se com as mobilizações sociais pioneiras que já pipocam aqui e ali.

É nesse ambiente de caos institucional, que os futuros dirigentes do Grande Oriente do Estado de Mato Grosso exercerão o seu mandato. Precisarão obrigatoriamente de representatividade maçônica e de credibilidade social para colocar a cara da Instituição frente ao seu papel inevitável.

É preciso ter a capacidade de construir um projeto estratégico para o momento estratégico que vive o país e, especialmente, Mato Grosso, um Estado terrivelmente cheio de contradições como o de ser o maior produtor de grãos do país e não ter estradas para escoar o que produz. Esse é o exemplo de um único macroproblema que enfrenta e os setores públicos não conseguem ou não desejam enfrentar, porque o discurso do “não tem” dá votos e a solução de problemas não. Melhor falar de problemas do que de soluções.

É, pois, um papel de linha de frente esse dos próximos anos. Qualquer instituição que se coloque terá que ser estratégica. Ainda mais a Maçonaria. O ambiente interno na Ordem precisa ser repaginado a curtíssimo prazo para que a instituição possa ocupar-se com toda a força dos seus milhares de membros maçons perfeitamente qualificados, da linha de frente dos problemas externos.

Diz a sociologia que a oportunidade surge quando é percebida. Ela está aí, e os 3 milhões de habitantes de Mato Grosso precisam de iniciativas e de atitudes. Melhor momento não haverá!

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso.
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