Em crise financeira, Hospital de Câncer precisa de ajuda

O Hospital de Câncer de Mato Grosso vive uma grande expectativa para este ano. Passando por uma crise financeira que o faz fechar no vermelho mês após mês, a esperança por dias melhores está depositada na inauguração da ala anexa e no aumento no repasse do Governo Federal por conta de sua classificação como um dos melhores hospitais do gênero do país. 

A realidade, porém, é bem mais dura. A diretoria da unidade hospitalar não esconde qual é, hoje, a sua maior necessidade: dinheiro. E é a falta de recursos que faz com que um espaço como o Centro de Diagnóstico de Mama, pronto há cerca de um mês, não esteja funcionando.

“Recebemos uma doação do atual governador [Silval Barbosa] de R$ 1,6 milhão para que pudéssemos construir esse centro, mas falta dinheiro para começar a funcionar”, afirma o presidente João Castilho Moreno, 65, um dos fundadores do hospital, junto com os médicos José Leite e José Sabino.

Entidade sem fins lucrativos, o HCâncer realizou, no ano passado, cerca de 55 mil atendimentos. Desse total, 97% foi pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e, o restante, por meio de convênios. Quase metade (48%)dos pacientes vem do interior do Estado. 

O hospital, cujo atendimento no ambulatório começou em 1998 e que abriu as portas, em 2000, para a internação, foi considerado, recentemente, pelo Ministério da Saúde como integrante do “bloco A”, ou seja, está entre os melhores hospitais de câncer do país – e o único de Mato Grosso nessa lista.

Hoje, o HCâncer tem 126 leitos adultos e 15 leitos infantis, além de sete vagas no isolamento, para crianças que precisam se submeter a essas condições. A ala pediátrica também conta com brinquedotecas e psicólogos.  
Mary Juruna/MidiaNews
A ala adulta do hospital tem 126 leitos


Manter sua estrutura, no entanto, custa caro. O gasto mensal é de cerca de R$ 2,5 milhões, valor que os repasses do governo federal e as doações da sociedade civil não conseguem suprir. 

“Temos alguns parceiros, como os leilões no interior, que trazem contribuição significativa, de maior volume. Temos parcerias também, como a com a rede Cemat, que nos repassa em torno de R$ 35 mil todos os meses, mas não suprem as despesas”, diz Castilho.

Um dos leilões é o “Leilão pela Vida”, realizado anualmente, em parceria com o Grupo Estância Bahia, em Cuiabá. Em dezembro, foram arrecadados R$ 380 mil. A maior parte ficou com o Hospital de Câncer, mas o dinheiro também foi distribuído a outras instituições como o Abrigo dos Idosos e o Lar da Criança.

Outras 12 cidades realizam leilões do tipo, uma vez por ano, e revertem os ganhos para a unidade hospitalar, que tem cerca de 40 médicos fixos trabalhando.

Aumento na verba

O hospital recebe, do Governo Federal, cerca de R$ 1,3 milhão por mês, valor que, para Castilho, deveria ser ampliado, pois é o mesmo há dois anos. O dinheiro vai para a conta da Prefeitura de Cuiabá, que faz o repasse ao hospital.

E, como o hospital foi classificado para o grupo A, o repasse deverá ter reajuste, "pois o SUS vai pagar melhor as cirurgias e as internações para cirurgia", explica. 

"A documentação, com as portarias do Ministério da Saúde, está pronta. Vamos apresentar os papéis à Prefeitura e dizer que essa é a nossa tabela agora, e que precisa ser cumprida. E esperamos que eles cumpram”, diz o presidente. 

Pediatria

Se os ambientes de hospitais são, em geral, bastante tristes, os da pediatria são ainda piores. Crianças que deveriam estar brincando em casa ou na escola são submetidas a tratamentos intensivos e doloridos, mas necessários para que elas possam voltar a ter uma vida normal. 
Mary Juruna
T.E., de 4 anos, faz quimioterapia há três meses


T.E., de 6 anos, é uma delas. Com neuroblastoma, o tipo de câncer mais comum na infância, ele dá entrada uma vez por mês no hospital para fazer quimioterapia. Já não tem cabelo e fica calado boa parte do tempo.

A irmã, Andressa Gambora, de 20 anos, diz que os primeiros sintomas do menino foram dor na perna e palidez, e que havia a suspeita de leucemia. A família mora em Sinop.

“Viemos pra cá e, desde que diagnosticaram o neuroblastoma, ele está fazendo o tratamento”, afirma. Três meses se passaram desde então. Ainda faltam cinco para finalizar o tratamento.

Outra criança que está internada é V.H., de 4 anos. A mãe, Claudinete Souza Nazário, de 44 anos, aguarda, ansiosamente, o resultado de uma biópsia. As dores nos braços e nas pernas e o aparecimento de nódulos no pescoço e na cabeça levantaram a suspeita de que o menino possa ter câncer de medula.

“Ele deu entrada na quinta-feira [21] e deve fazer o tratamento por duas semanas. Estamos esperando pra ver o que vai dar o exame”, disse a mãe.

A tentativa de humanizar o tratamento e amenizar o sofrimento dos pequenos no hospital inclui paredes pintadas com desenhos infantis e a disponibilidade de TV com videogame para aqueles que fazem a quimioterapia.

Alta tecnologia

O hospital atende com equipamentos modernos, mas recebe do SUS como se não usasse esses tipos de aparelhos. 

“Apesar do SUS não autorizar o tratamento com alta tecnologia, nós fazemos esse tratamento. O SUS paga a tecnologia padrão. Trabalhamos com radioterapia conformacional, que é complicada e não é qualquer aparelho que faz. Esse é do mesmo tipo que tratou a presidente Dilma”, afirma Castilho.

A radioterapia convencional, explica o médico, consegue delimitar melhor os órgãos que ficam próximos ao tumor para que tratamento não os afete.“A gente trata com alta tecnologia, mas recebe como baixa tecnologia”, afirma.

Os tipos mais frequentes de câncer tratados no hospital são de pele, de próstata e de mama.

Centro de Diagnóstico

Com o funcionamento do Centro de Diagnóstico de Mama, por exemplo, a expectativa é que possa ser feita a detecção precoce da doença, a fim de aumentar as chances de cura. 

“Se o Estado e Prefeitura forem parceiros para compartilhar conosco na manutenção e custeio, assim como empresas privadas, conseguiremos colocar esse centro em funcionamento. E, se fizermos isso, dentro de 5 anos, não teremos mais câncer de mama em Mato Grosso, a não ser em estágio inicial”, prevê o presidente. 
Mary Juruna
Paredes coloridas: tentativa de humanizar o tratamento das crianças


Casa Cor

No ano passado, uma parceria com a Casa Cor Mato Grosso conseguiu arrecadar dinheiro para finalizar a ala anexa do hospital, que estava parada há 17 anos. O espaço de 6 mil metros quadrados vai abrigar 12 consultórios, recepção nova e pronto-atendimento para oncologia, triplicando a capacidade de atendimento.

A jornada para conseguir a verba contou com a ajuda de políticos (o que incluiu uma emenda parlamentar de R$ 1,2 milhão), empresários e entidades como a Aprosoja (Associação dos Produtores de Milho e Soja), que arrecadou R$ 2,5 milhões em campanha no interior.A associação também será a responsável por mobiliar e equipar a nova ala.

O HCâncer e a Casa Cor MT também contaram com a ajuda fundamental do ator cuiabano Otaviano Costa. Ele, que deveria ter sido apenas um homenageado da mostra de 2012, acabou tornando-se embaixador do hospital.

Ele idealizou e realizou um leilão em São Paulo, chamado Objetos do Coração, que conseguiu arrecadar R$ 1, 9 milhão. 

Vagner Giglio, diretor da Casa Cor MT, conta que é um dos responsáveis pela franquia Casa da Criança dentro da unidade, com demais parceiros, cujo objetivo é humanizar o tratamento.

“Surgiu, então, a ideia de fazer uma campanha para revitalizar aquela área. Fizemos uma consulta aos patrocinadores locais e nacionais, e o projeto foi aprovado e apoiado por todos”, diz. Pelos seus cálculos, a reforma custou entre R$ 4 e R$ 5 milhões.

Castilho, no entanto, ressalta que esse dinheiro foi para a construção do novo espaço. “As pessoas pensam que agora temos muito dinheiro, o que não é verdade. Foi arrecadado bastante dinheiro sim, durante a campanha com a Casa Cor, mas foi todo dirigido para a obra. É preciso deixar isso bem claro”, explica.

A previsão é que a nova ala seja entregue em julho deste ano. Resta saber se o hospital vai conseguir manter o novo espaço.

“O que seria dessas 50 mil pessoas sem o Hospital de Câncer? Onde seriam atendidas? Essa é a importância do Hospital de Câncer”, finaliza Castilho.

Como ajudar

Campanha Cofrinho solidário – doação do troco das compras feitas em locais conveniados com o hospital, como farmácias e supermercados;

Campanha Rede Cemat – a população pode ajudar autorizando a contribuição a partir de R$ 3 mensais, em sua conta de energia. O telefone é 0800 703 4144;

Campanha Saco de lixo - venda e entrega de sacos de lixo em diversos tamanhos. Os interessados podem fazer o pedido pelos telefones 6348-7544/7575 ou 0800-703-4144, com a equipe de Captação do Hospital.


Por: Midia News
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