PMs que atropelaram e mataram estudante são expulsos

A Polícia Militar expulsou dos seus quadros dois soldados acusados de atropelar e matar a estudante Natália Marina de Carli Canhos, na noite de 17 dezembro de 2011, em Alta Floresta (803 km a Extremo-Norte Cuiabá).

A jovem tinha 22 anos e havia saído de uma casa noturna, quando foi atingida pela viatura conduzida pelo PM Ricardo Alves da Silva, levava como patrulheiro e na função de comandante o PM Renato Takeo Nishimuta.

Os PMs perderam o controle do veículo após passarem em um quebra-molas, atingiram a estudante com a lateral do veículo, arremessando-a a 21 metros do local da batida.

"Diante de todo o exposto e após análise minuciosa dos autos, restou evidenciada a culpabilidade dos sindicados e configurada a total incompatibilidade de suas condutas com a disciplina militar"
A portaria que determina a exclusão dos soldados é assinada pelo comandante-geral da PM, coronel Adriano Denardi, e é publicada no Diário Oficial que circula nesta terça-feira (21).

Na portaria, Denardi observou que os policiais agiram "de forma incompatível com a conduta militar" e são culpados pela ocorrência do acidente.

“Diante de todo o exposto e após análise minuciosa dos autos, restou evidenciada a culpabilidade dos sindicados, de modo que restou também configurada a total incompatibilidade de suas condutas com a disciplina militar”, afirmou, em trecho da portaria.

Processo disciplinar


De acordo com as investigações da própria PM, a viatura estava em velocidade acima do permitido, na Avenida Ariosto da Rida - uma das principais de Alta Floresta -, que é de 40 km/h. 

A perícia aponta que a velocidade do veículo, no momento da colisão, variava entre 101,09 km/h e 91,46 km/h.

Além disso, a sirene da viatura – de uso indispensável, no caso de atendimento a uma ocorrência policial – estaria desligada, no momento do acidente.

“[...] o acidente (atropelamento) [...] teve como causa determinante o excesso de velocidade desenvolvido pelo condutor da viatura, e foi constatado que havia placas verticais de sinalização na via que dizia que a velocidade dessa pista de rolamento era 40 km/h, além do que não estavam fazendo na ocasião uso de “sirene”, que é um equipamento indispensável no atendimento de ocorrência”, diz trecho da portaria.

O comandante ressaltou ainda, no documento, que faltou atenção dos PMs ao correrempela avenida, uma vez que há um quebra-molas na pista e que poderia ter diminuído a possibilidade de provocar o acidente.

“Além disso, tal via possui casas noturnas que a tornam movimentada no período noturno, o que ensejava maior cuidado em tal localidade ou, ainda, tal guarnição poderia ter procurado caminhos alternativos para chegar à ocorrência”, afirmou.

Durante as investigações, as testemunhas relataram que, apesar de a viatura estar com o sinal luminoso ligado (intermitente), os sinais sonoros (sirene) estavam desligados, o que é incompatível com o que prega o manual de conduta dos policiais militares.

“Realmente, houve falha dos sindicados neste ponto, uma vez que, em procedimento de atendimento de ocorrência, conforme previsto no manual, deveriam estar com os sinais luminosos (intermitente) e sinais sonoros (sirene) ligados”, diz outro trecho do documento.

O comandante-geral da PM destacou, ainda, no documento, que o caso é de natureza grave e “expôs negativamente a instituição Polícia Militar de Mato Grosso, tendo consequências de desgaste junto à sociedade”.

Afastados


Os dois policiais ingressaram na PM em fevereiro de 2011 e, desde o acidente, foram afastados das ruas e exerciam apenas atividades administrativas dentro da corporação.

O boletim geral da PM, com a decisão de expulsão dos soldados, foi veiculado em fevereiro deste ano. Eles recorreram, então, da decisão da Corregedoria, mas Denardi manteve a expulsão.

O caso do acidente também tramita na Justiça Militar Estadual.

Por: Midia News
Share on Google Plus

Assuntos Relacionados

0 comentários :

Postar um comentário

Deixe seu Comentario