Número de fumantes em Cuiabá cai 27% em 6 anos

O número de fumantes em Cuiabá reduziu 27% em seis anos, segundo a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada pelo Ministério da Saúde nesta semana.

Nesta quinta-feira (29), é comemorado o Dia Nacional de Combate ao Fumo. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o uso do tabaco continua sendo líder do ranking de causas de mortes evitáveis no Mundo.

Em Mato Grosso, os números são otimistas. O percentual de queda em Cuiabá superou o declínio nacional no mesmo período, que foi de 20%. Em 2006, 15% da população da Capital de Mato Grosso era fumante, índice que caiu para 11% em 2012.

"Mais da metade dessa redução não é por conta de tratamento. É porque as pessoas, realmente, estão se conscientizando de que o cigarro faz mal"
Para o pneumologista e professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Clóvis Botelho, a queda se deve às políticas públicas implementadas pelos governos estaduais e Federal, que devem ser valorizadas.

“Mais da metade dessa redução não é por conta de tratamento. É porque as pessoas, realmente, estão se conscientizando de que o cigarro faz mal, devido às campanhas, à proibição do ato de fumar em alguns ambientes, à legislação contra a propaganda [de cigarro], à atuação da Igreja e da mídia, e às campanhas nas escolas, onde as crianças recebem informações sobre os malefícios do cigarro e fazem campanha em casa para os pais pararem de fumar. Tudo isso então coloca na cabeça do fumante a necessidade de largar o vício. Essa consciência não existia antes”, afirmou.

Ao MidiaNews, Botelho explicou que a dependência maior do fumante é da nicotina, pela sensação de prazer que a droga oferece. No entanto, para conseguir essa sensação, a pessoa inala cinco mil substâncias tóxicas para o organismo – que envolve até mesmo venenos e agrotóxicos.

“Dentre elas, há 65 substâncias identificadas como cancerígenas. Então, se trata de um coquetel que resulta em problemas de doenças respiratórios, de coração, câncer, osteoporose, entre outros”, disse.

De acordo com o pneumologista, o fumante que quer largar o vício do cigarro deve ter consciência de que, se a dependência por muito grande, apenas a determinação não será o suficiente para fazê-lo abandonar o vício, sendo necessária a intervenção médica.

“Nós temos cerca de 20 milhões de fumantes no Brasil. Destes, 10% a 15% só param com tratamento médico, porque não conseguem parar sozinhos. O tratamento pode ser à base de medicação ou não”, explicou.

Iniciação ao vício


"[...] se trata de um coquetel que resulta em problemas de doenças respiratórias, de coração, câncer, osteoporose, entre outros"
A pesquisa Vigitel revelou que os homens continuam fumando mais que as mulheres. Em 2006, o índice era de 19%, passando para 14%, no ano passado. Já entre as mulheres, esse dado era de 8%, em 2006, reduzindo para 6%, em 2012.

Segundo Botelho, atualmente a iniciação ao tabagismo começa cedo, principalmente com a nova “moda” entre os jovens e adolescentes: o narguilé (cachimbo d’água), que é um dispositivo no qual o tabaco é aquecido e a fumaça gerada passa por um filtro de água antes de ser aspirada pelo fumante, por meio de uma mangueira.

Dados da OMS apontam que uma sessão de narguilé, que dura em média de 20 a 80 minutos, corresponde à exposição a todos os componentes tóxicos presentes na fumaça de 100 cigarros.

“É uma forma de iniciação ao tabagismo. Faz tanto mal, ou até mais, que o cigarro comum. Isso de falar que ele só tem gosto, que é filtrado, que não faz mal, é enganação. É tudo feito para amenizar o ato, mas não tem benefício nenhum. E o pior de tudo é que a pessoa inala ainda mais monóxido de carbono, por meio da fumaça”, disse Botelho.

Para o pneumologista, para incentivar o consumo do narguilé, as pessoas acabam adotando as mesmas práticas usadas em campanhas anteriores de cigarros.

“Estão ‘glamourizando’ o narguilé como faziam com o cigarro no início, com carros de luxo, mulheres bonitas, iates”, afirmou.

Aproveitando a data comemorativa nacional, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) lança hoje uma campanha de alerta à população para os malefícios causados pelo consumo do narguilé, com o slogan “Parece inofensivo, mas fumar narguilé é como fumar 100 cigarros”.

"Estão ‘glamourizando’ o narguilé, como faziam com o cigarro no início"
A campanha é de massa, mas tem foco no público jovem e adulto, de 13 a 35 anos, pois pretende atuar prevenindo a experimentação e a iniciação ao uso do narguilé.

Malefícios do cigarro


Segundo a OMS, o uso de narguilé e dos cigarros comuns estão associados com o desenvolvimento do câncer de pulmão, boca e bexiga, doenças respiratórias, coronarianas e periodontais, baixo peso ao nascer e aterosclerose (doença crônica-degenerativa, caracterizada pela obstrução de vasos sanguíneos).

Segundo Botelho, não há um prazo específico de uso do cigarro para o surgimento de doenças.

“Para aparecerem doenças respiratórias ou câncer, depende de cada organismo, mas normalmente são efeitos do uso prolongado. Agora, para eventos cardiovasculares, como um infarto ou arritmia, por exemplo, não existe um prazo de tempo. Não existe dose saudável para o cigarro, como existe para o álcool, por exemplo. O que não pode é iniciar, porque o cigarro é como qualquer outra droga que existe por aí, você não sabe se ficará dependente ou não”, disse.

Enfrentamento nacional


Reprodução
Inca lançou campanha nesta quinta-feira (29) contra o consumo do narguilé entre jovens
O Ministério da Saúde oferece o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT) criado em 1996 no Sistema Único de Saúde (SUS), que oferta o tratamento contra o fumo no país. Em abril deste ano, o governo anunciou a ampliação do atendimento oferecido pelo programa.

Segundo o órgão, o controle do tabaco é uma importante medida de prevenção das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DNCT). O tabagismo – assim como a alimentação não saudável, a inatividade física e o uso abusivo de álcool – está entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento de infarto agudo do miocárdio, AVC e câncer.

Esse ano, a adesão ao programa para as equipes de Atenção Básica – feita pelo Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ) – contou com 24.515 equipes inscritas, em 4.371 municípios brasileiros. A meta é reduzir de 15% para 9% a proporção de fumantes na população adulta até 2022.

O Ministério da Saúde investe ainda na ampliação da assistência às pessoas que querem parar de fumar, oferecendo desde o acompanhamento do paciente por profissionais de saúde a medicamentos (entre adesivos, pastilhas, gomas de mascar e o antidepressivo bupropiona).

O Governo Federal pretende capacitar profissionais para atenderem aqueles que querem largar o vício. A capacitação não abordará somente o tratamento com o uso de medicamentos, mas também deverá incluir uma abordagem comportamental qualificada para incentivar o fumante a prosseguir com o tratamento até o final.

Ações educativas também serão metas da união. O Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento de Doenças Crônicas não transmissíveis prevê o fortalecimento do Programa Saúde na Escola, voltado para prevenção e redução do uso do álcool e tabaco entre crianças e adolescentes.

Midia News
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