Comandante Geral da PM afirma que morte de deficiente foi "fatalidade"

O comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso, coronel Nerci Denardi, considera que a morte de um deficiente mental e auditivo durante uma abordagem de policiais militares foi uma fatalidade. Sem esconder a consternação ao falar sobre o assunto, ele garantiu que o caso será severamente apurado e, caso seja comprovado erro da guarnição, o autor do disparo pode ser até expulso da corporação.

“Considera uma fatalidade o que aconteceu. Estou muito triste com o que aconteceu”, disse o coronel. “Como comandante-geral eu tenho que ser imparcial. Não vou passar a mão na cabeça de ninguém e nem crucificar. Mas se tiver que falar qualquer coisa em que a guarnição errou ou se precipitou, estarei aqui, sendo comandante nos bons e nos maus momentos”, completou.

De acordo com o comandante-geral, todas as medidas necessárias foram tomadas de imediato pela Polícia Militar, inclusive pelos próprios membros da guarnição responsável pela morte de Ademar da Silva Oliveira, 19. “A primeira coisa foi chamar o Samu, mas infelizmente o garoto já estava morto. A Polícia Civil foi acionada na hora e a perícia chamada. O local da morte foi isolado, as armas dos policiais recolhidas e testemunhas procuradas”, explicou.


(Policiais militares aguardavam no local da morte a chegada da perícia técnica)

Além do inquérito Policial Civil, a Corregedoria da Polícia Militar também irá instaurar um Inquérito Policial Militar, que terá um prazo de 40 dias, prorrogáveis por mais 20. Enquanto isso, os três policiais que faziam parte da guarnição ficarão afastado das atividades operacionais, exercendo apenas funções administrativas.

O caso

Um rapaz com deficiência auditiva e mental de 19 anos foi morto ao supostamente reagir a uma abordagem de uma guarnição da Polícia Militar na tarde do dia 8. Os policiais atendiam verificavam uma chamada feita via Ciosp de que um homem estava andando armado na região do bairro Nova Alvorada. 

Ao chegarem ao local, os policiais encontraram o rapaz que batia com a discrição feita através do rádio e deram ordem para ele parar. Ademar da Silva Oliveira Júnior, 19, não parou e, após uma segunda ordem, ele teria feito menção a sacar algo na sua cintura. Foi então que um dos policiais, um sargento, atirou e o atingiu no lado esquerdo, aproximadamente na linha do coração.

Os policiais chegaram a chamar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas o garoto estava morto quando a unidade chegou ao local. Com a chegada da perícia, verificou-se que o jovem estava com um facão na cintura.

Ademar Oliveira, 55, pai da vítima, afirmou que vai entrar na Justiça contra os policiais. Segundo ele, o garoto era como uma criança, ouvia mal e falava muito pouco também. Além disso, o jovem tinha o costume de caminhar pela área e todos da região o conheciam.


Do: Olhar Direto
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