Delegados da Polícia Federal criticam “censura” na Operação Ararath

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) emitiu nota de repúdio à determinação dada à Polícia Federal pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Tóffoli, para que a instituição se mantivesse calada durante a execução da quinta fase da “Operação Ararath”, realizada na terça-feira (20), em Mato Grosso.

Para os delegados federais, essa foi "a mais contundente violência sofrida pela instituição, desde a redemocratização do Brasil”, diz trecho da nota.

A Operação Ararath apura um suposto esquema de desvio de recursos e lavagem de dinheiro, com o uso de factorings.

Na última terça-feira (20), o desdobramento da operação iniciada em novembro de 2013 resultou na prisão do ex-secretário de Estado, Eder Moraes, e do deputado estadual José Riva (PSD).

“A sociedade brasileira merece saber o que tornou tão singular a execução da quinta fase dessa operação com relação a tantas outras operações em tramitação no Supremo Tribunal Federal”, diz outro trecho do pronunciamento.

Leia abaixo, na íntegra, a nota de repúdio emitida pela ADPF:


“Nesta terça-feira, a Polícia Federal deflagrou, no Estado do Mato Grosso, a quinta fase da operação Ararath que apura esquema milionário de desvio de recursos e lavagem de dinheiro, com uso de empresas de factoring.

A investigação, que começou em 2011, apontou envolvimento de servidores dos poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e também de membros do Ministério Público estadual. Apesar da operação ter sido bem sucedida e dentro da normalidade, um fato, considerado inédito, causou grande perplexidade e indignação entre os Delegados da Polícia Federal.

O Ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, acatou um estranho pedido do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, e decidiu “calar” a Polícia Federal. Para os Delegados Federais, essa foi a mais contundente violência sofrida pela instituição desde a redemocratização do Brasil.

A sociedade brasileira merece saber o que tornou tão singular a execução da quinta fase dessa operação com relação a tantas outras operações em tramitação no Supremo Tribunal Federal.

Afinal, o que seria capaz de transformar o chefe do Ministério Público da União em um verdadeiro “Censor Geral da República”. Também é preciso ficar mais claro, os reais motivos que levam um Ministro da mais alta corte brasileira aceitar os argumentos do Ministério Público Federal e impedir que a imprensa, seja devidamente informada sobre o trabalho da Polícia Federal, uma instituição respeitada e admirada por todos os brasileiros.

Assim, ao que parece, a “lei da mordaça”, tão combatida pelo próprio Ministério Público, passa a ser defensável quando a vítima é a Polícia Federal do Brasil, uma instituição republicana, que sempre busca desenvolver suas missões com seriedade, eficiência e transparência, independente de quem esteja envolvido, direta ou indiretamente, com o crime.

ADPF – Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal
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