Riva acusa Eraí Maggi de esquema para sonegar impostos



O deputado estadual José Riva (PSD) denunciou, na manhã desta quarta-feira (01), um suposto esquema de sonegação fiscal por meio de uma cooperativa agrícola, a Cooamat (Cooperativa Agroindustrial do Mato Grosso ), ligada ao empresário Eraí Maggi.

Segundo Riva, a Cooamat foi fundada em 2004 e é constituída por funcionários do grupo Bom Futuro, de propriedade de Eraí. O deputado disse que o esquema pode ter resultado em uma sonegação total, até agora, de cerca de R$ 300 milhões.

“Considerando a movimentação anual da cooperativa, entre R$ 300 a 500 milhões, a diferença de arrecadação pode chegar até R$ 50 milhões anuais. Portanto, desde que foi fundada, a Cooamat pode ter sonegado cerca de R$ 300 milhões. Com esse valor, Mato Grosso poderia ter construído três grandes hospitais”, afirmou.
"A maiorias dos associados são funcionários do Eraí Maggi e da Bom Futuro. É uma cooperativa formada por pessoas que não são produtores. É tudo uma simulação. Ele usa a cooperativa, em nome de laranjas, para não pagar impostos"

Riva disse que irá protocolar uma denúncia sobre o suposto esquema no Ministério Público Federal (MPF) e na Delegacia Especializada em Crimes Fazendários (Defaz). Ele também não descartou a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa.

“A maiorias dos associados são funcionários do Eraí Maggi e da Bom Futuro. É uma cooperativa formada por pessoas que não são produtores. É tudo uma simulação. Ele usa a cooperativa, em nome de laranjas, para não pagar impostos. Porque uma cooperativa tem vantagens no Imposto de Renda, o PIS é menor, não paga Cofins... Enfim, é dinheiro que está sendo sonegado”, afirmou Riva.

O deputado disse que tomou conhecimento do caso por meio de uma denúncia anônima. “Se você pegar um cara igual o Erai, vai saber que a maior parte do patrimônio dele, na verdade, não é dele. Não está documentado em seu nome, mas, sim, em nome de ‘laranjas’. Tem funcionário dele que é ‘dono’ de pelo menos três fazendas”, afirmou.

Nomes
Entre os nomes citados por Riva, que segundo ele fazem parte da cooperativa, mas estão ligados a Eraí, constam José Vengrus Filho, diretor de compras da Bom Futuro desde 1994; Inácio Modesto Filho, diretor de produção desde 2000; Donato Cechinel, diretor jurídico desde 1991; e Lirio Mognon, gerente da Fazendas Campo Verde; entre outros.

“Esses funcionários são todos ‘laranjas’ dos proprietários que possuem fazendas em nomes deles, arrendamentos, todos simulados”, disse.
"O peso de impostos como ICMS, COFINS e IR, em cálculo raso, pode chegar a casa de R$ 100 a 200 bilhões. Estamos diante de um golpe milionário aplicado pelo maior plantador de soja do mundo"

O parlamentar também elencou outros indícios da suposta irregularidade. Segundo ele, a cooperativa não aceita novos cooperados, não possui armazéns e, até há dois anos, seu endereço era sede da Bom Futuro, em Rondonópolis.

“É uma cooperativa misteriosa. Ninguém nunca ouviu falar dela, porque ela não faz publicidade, não realiza negócios com não-cooperados. Além disso, contadores e administradores de empresas, que nunca foram agricultores, são cooperados”, afirmou.

De acordo com os dados apresentados por Riva, a Cooamat é a 7ª maior exportadora de grãos do país, e movimenta, anualmente, mais de R$ 300 milhões.

“A movimentação anual milionária de pepro de milho (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor) correspondente a 25% do total ofertado pelo Governo Federal na região, indica existência de forte lobby junto ao Ministério da Agricultura”, afirmou.


"Golpe milionário"
Tony Ribeiro/MidiaNews
O deputado José Riva, que denunciou suposto esquema em cooperativa

O deputado classificou o uso da cooperativa como “golpe milionário”.

“O peso de impostos como ICMS, COFINS e IR, em cálculo raso, pode chegar a casa de R$ 100 a 200 bilhões. Estamos diante de um golpe milionário aplicado pelo maior plantador de soja do mundo, ou melhor, o segredo do seu sucesso”, afirmou.

“Quer dizer, ele não paga imposto, dá para entender tamanho crescimento. A pessoa deixa de pagar até R$ 50 milhões por ano. Dá para doar tudo para a campanha do Taques. Essa doação para o Taques, com certeza, é fruto de sonegação, de não pagar impostos”, afirmou.

Segundo Riva, os dados analisados indicariam uma ação criminosa.

“A cooperativa é legal, contudo a existência de simulação de negócios é crime. E há indícios claros de tal existência. Imagine se todo produtor resolver criar uma cooperativa? O Estado de Mato Grosso quebra; a União quebra. Óbvio que há regras para se montar uma cooperativa, o que não é ilegal. Mas, desse jeito, tudo leva a crer que é crime, uma forma de você não pagar impostos”, disse.

Doações de campanha


O empresário Eraí Maggi, conhecido como “Rei da Soja”, é um dos principais doadores de campanha do candidato ao Governo Pedro Taques.

Segundo registro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eraí doou R$ 889.640,00 mil à campanha do pedetista.

Ao todo, a família Maggi Scheffer doou R$ 3,340 milhões a Taques, entre doações de pessoas físicas e de empresas.

O deputado Riva ironizou a condição de Eraí como doador de campanha.

“Antes achava que o Eraí estava doando muito... Mas cheguei à conclusão de que ele está doando pouco para a campanha do Pedro. Porque ele pode doar muito mais, um cara que deixa de pagar imposto da ordem de até R$ 50 milhões por ano pode doar muito mais”, afirmou.

Outro lado


A reportagem não conseguiu falar com Eraí Maggi, por meio de seu telefone celular.

Documento apresentado por Riva com fundadores da cooperativa:
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