Governo alega prejuízo à produção e pede o fim de bloqueios

A Advocacia Geral da União (AGU) ingressou com ações na Justiça Federal para solicitar a suspensão imediata dos bloqueios de rodovias, que são realizados em sete Estados, sob pena de pagamento de multa de R$ 100 mil para cada hora que a interdição ocorrer. 

As ações foram ajuizadas simultaneamente em Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás, do Sul, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A AGU alega que os manifestantes têm o direito à liberdade de expressão, mas não podem ferir o direito de ir de vir das pessoas. 

“Não é justo nem razoável que a utilização abusiva desses direitos resulte em prejuízos de grande monta a praticamente toda a população brasileira", diz trecho da ação.

Além disso, a AGU afirma que o bloqueio pode causar um impacto econômico, com o fechamento das estradas, no escoamento da produção visto que os manifestantes têm bloqueado as rodovias ininterruptamente.

Atualmente, o Estado se encontra no período de pico de safra e os bloqueios atingem 80% das rotas no escoamento da safra de soja e  os caminhoneiros bloqueiam 10 pontos das BRs-163, 364 e 070. Eles protestam pela redução do ICMS do óleo diesel e pela exigência de elaboração de uma tabela fixa para a cobrança do frete no Estado.

Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), as interdições acontecem nas cidades de Cuiabá, Sinop, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso, Diamantino, Rondonópolis e Primavera do Leste. 

Com exceção de Sinop, o bloqueio segue sem interrupção e os caminhoneiros completam sete dias de manifestação nesta terça-feira (24).

Prejuízos 

Alguns  prejuízos registrados com o protesto dos caminhoneiros são o desabastecimento da capital que já tem ocasionado à alta dos preços de alguns produtos.

A Cooperativa de leite Comajul, por exemplo, informou que suspendeu a industrialização de 100 mil litros de leite/dia, pois não está conseguindo escoar a produção, de acordo com o presidente Sebastião Reis.

Segundo ele, os depósitos da cooperativa estão com sua capacidade esgotada e não há mais condições de armazenar o alimento. Os prejuízos já somam R$ 150 mil diários.

O setor de hortifrutigranjeiros, na capital, também já está amargando prejuízos.

De acordo com o feirante Joilson Silva, grande parte dos alimentos vendidos na feira é adquirido no Sul do país, mas as carretas que transportam esses produtos permanecem paradas nos bloqueios.

“Está parado. Temos vários colegas aqui com carretas e carretas paradas porque não podem seguir viagem e os produtos vão perder, porque são todos perecíveis”, disse.

O bloqueio, inclusive, já causa a falta de verduras e frutas em alguns pontos de venda de Cuiabá.

“Quem tem o produto aqui na feira do Verdão vai subindo com os preços. Agora, nós vamos ficar sem, né? Não temos o que fazer”, disse.

Os preços de alguns produtos já sofreram reajustes de mais de 100%. Uma caixa com cenoura, por exemplo, que custava, em média, R$ 25, não sai a menos de R$ 60.

“Já subiu bastante os preços do tomate, cenoura, batata e cebola, por exemplo. O preço da cebola vai triplicar porque o produto vem tudo do sul e as rodovias lá estão todas paradas. Agora, nos resta aguardar”, concluiu.

Caso a Justiça defira pela suspensão dos bloqueios, as ações de desobstrução das pistas serão realizadas pela Polícia Rodoviária Federal, com apoio da Força Nacional. 


Fonte: Midia News
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