MCs mirins ganham até R$ 12 mil por semana e têm vida de luxo em Heliópolis

Com o aval dos pais, 17 adolescentes que sonham com o sucesso no funk foram morar na casa do empresário Emerson Martins, de 42 anos. Erguido ao lado da favela de Heliópolis, berço dos pancadões de rua de São Paulo, o casarão de três andares tem estúdios de gravação, piscina, salas para produção de clipes e um dormitório onde ficam algumas das estrelas em ascensão do gênero, como MC Brinquedo, de 13 anos, MC Plebeia, de 15, e MC Pikachu, também de 15. Em abril, os vídeos produzidos na mansão somaram mais de 16 milhões de visualizações no YouTube.

Mas a "fábrica dos sonhos" do funk, como alguns pais de artistas mirins chamam o casarão, entrou na mira do Ministério Público do Trabalho e da Promotoria da Infância e da Juventude. Clipes erotizados e com alusão às drogas que "viralizaram" na internet, feitos dentro do casarão, "ferem a dignidade das crianças e dos adolescentes", segundo os promotores.

O assunto invadiu as redes sociais durante a semana. A maior parte das opiniões condenava a exposição dos MCs mirins. Principal revelador de talentos do funk paulistano, Martins, que transformou a casa onde moram os garotos na KL Produtora, discorda dos promotores. 

— Quando teve criança dançando 'na boquinha da garrafa' ninguém falou nada; quando teve Sandy e Júnior, nada. Antes já teve o Balão Mágico. Por que a perseguição com o funk? Por que é da periferia?

Antes de investir no funk, o empresário montava parques de diversão na periferia paulistana.

Martins faz questão de ressaltar que todos os artistas recebem alimentação, vão à escola e obedecem a regras como não participar "de nenhum" dos bailes funk de rua.

— Esse contato com o público quebra a magia do artista. Não pode ser tão acessível assim.

Os pais deixam uma autorização por escrito para Martins, permitindo que o filho menor de idade fique sob sua responsabilidade.

Assim que os adolescentes completam 16 anos o empresário pede aos pais a emancipação.

— Pai do Brasil inteiro está me ligando.

Os garotos passam a maior parte do dia gravando novas letras, produzindo clipes e concedendo entrevistas. Dois produtores, um motorista e uma cozinheira ficam na casa à disposição dos meninos. Dois furgões são usados para levar os MCs mirins para aeroportos, shows e entrevistas. Eles também podem visitar os pais a qualquer momento, segundo Martins.

Cachê

Estrela até de baladas de descolados, MC Pikachu mora já há cinco meses na casa de Martins. Foi com a equipe do empresário que ele produziu o clipe da música Novinha Profissional, que teve mais de 8 milhões de visualizações no YouTube em dois meses.

O garoto já não consegue mais circular por Heliópolis sem ser perseguido por uma multidão.

"Sabe o que ela quer? P.. p...", diz a letra de Ela Quer P**. Pikachu faz até quatro shows por semana, a maior parte na madrugada. Seu cachê varia de R$ 5 mil a R$ 12 mil por semana. Antes, ele morava com os pais na periferia de Suzano, na Grande São Paulo. O garoto pediu ao empresário um carro para o pai.

— Ele disse que queria comprar um carro. Disse que não podia ter, mas para o pai dele podia. Fomos na concessionária e compramos uma Montana zero para o pai dele trabalhar.
Maior exemplo para Pikachu e outros adolescentes do casarão é MC Bin Laden, de 21 anos, o "carro-chefe" da KL. O garoto pobre de Itaquera, na zona leste, já conseguiu comprar casa própria para ele e para a mãe após chegar, há dois anos, à casa de Martins.

Seu sucesso Bololo, hahahá, que fala sobre o momento nos bailes funk em que várias motos se juntam para acelerar sem escapamento, já teve 10 milhões de visualizações. O sucesso de Bin Laden despertou até a atenção do DJ, músico e produtor inglês Diplo, que tocou Bololo, hahahá durante apresentação no festival Lollapalooza.
Fonte: R7.com
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