Shopping Popular muda opções e atrai nova classe social

Há tempos, ir às compras no Shopping Popular de Cuiabá  - também conhecido como "Camelódromo" - não é mais sinônimo de humildade. Hoje, o local é considerado um centro de compras, inclusive, com produtos exclusivos na cidade. 

Uma prova da mudança de público nas compras populares são os carros de alto padrão, que são facilmente encontrados no amplo estacionamento do local, no começo da Avenida da Prainha, no bairro do Porto. 

Um exemplo de novos clientes no centro comercial é a empresária Cristiane Ataíde, para quem a concentração de vários produtos e os preços considerados acessíveis, em um só lugar,  facilitam a vida do consumidor. 

“Hoje, com a vida corrida, temos sempre que buscar a praticidade. Eu compro sempre aqui e é claro que também por conta do valor. Mas, ter estacionamento e os lançamentos de produtos em um só lugar me atraem muito”, disse.

Entre os produtos mais consumidos pela empresária, estão eletrônicos e cosméticos. 

“Sempre que sai um jogo novo, eu encontro aqui. Cosméticos também são minha paixão e aqui eu encontro os produtos importados”, completou. 

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Cristiane Ataíde: preços acessíveis e muitos produtos em um mesmo lugar


Já a dona de casa Franciely Martins destacou os preços dos produtos como atrativo para a compra. 

“Eu gosto de vir aqui todo mês porque encontro tudo o que quero com valor acessível. E também consigo negociar o preço”, ressaltou. 

Para os donos de lojas no Shopping Popular, a mudança de público está bastante visível. 

O comerciante Daniel Otávio, que frequenta o local desde a primeira estrutura montada, destacou as mudanças. 

“Eu trabalhava nas ruas e, quando foi aberto este espaço, em 21 de abril de 1995, nós éramos vistos com um certo preconceito. Mas, hoje, as coisas estão bastante diferentes. Aqui você encontra de todos os públicos, cada vez mais eu atendo gente com mais dinheiro”, contou. 

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A vendedora Weslayne Benevides confirma a mudança de publico no Shopping Popular
Vendedora há um ano no shopping, Weslayne Benevides conta que a procura pelos lançamentos são constantes. 

“Como eu vendo capinhas para celulares, aqui percebo que as pessoas que têm um celular mais caro compram muito acessório. E sempre que tem um lançamento, temos que correr para ter o produto novo. Como nós vendemos acessório, fica muito visível esta mudança”, revelou. 

Para a administração do Shopping Popular, a mudança de público acontece de forma natural e é bastante positiva. 

Segundo o presidente da Associação do Shopping Popular de Cuiabá, Misael Galvão, as lojas têm que atrair todo o tipo de publico. 

“Estamos vendo no mercado que as pessoas buscam cada vez mais preços acessíveis e variedade de produtos. Antes, pagar barato ou comprar no camelô” era, digamos, fora de moda. Hoje, economizar é muito interessante e visto com bastante positividade”, afirmou. 

Novo shopping


O Shopping Popular de Cuiabá está desde 2013, em plena transformação. 

O projeto foi idealizado como forma de revitalização da região do Porto antigo e para atender da melhor forma possível a todos que procuram o local.

De acordo com 

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O engenheiro civil Adalberto da Costa Marques ressalta a utilização de materiais sustentáveis
Misael Galvão, a obra está sendo executada levando em conta a sustentabilidade e a preservação histórica da região. 

Entre os destaques está o ecobloco, que é um tijolo de (EPS) isopor diferenciado, colocado e feito estruturalmente. 

“Existe uma cavidade no tijolo do ecobloco, onde serão colocados ferros e concreto para que a parede esteja estruturada. Com isso, é reduzida a necessidade de se fazer mais pilares e, consequentemente, a obra se torna um pouco mais rápida. Além disso, tem parte de climatização e de sonorização, que é anti-chamas”, explicou.

Após instalado o ecobloco diminui em 50% os ruído externo e internos, diminuindo consideravelmente a necessidade do uso de climatizadores ou ar condicionado. Outra situação é que a parte interna não é afetada com a temperatura externa. 

“Este material já usamos em algumas obras nossas, temos provas do quanto o ecobloco beneficia e muito a longo prazo e mais ainda o custo na economia da energia elétrica. Fora a durabilidade do produto”, disse.

De acordo como presidente da associação, Misael Galvão, a ideia partiu das reuniões com a empresa e diretoria. 

“Já que iríamos fazer uma obra com esta magnitude por que não inserir projetos sustentáveis e com isso contribuir por um planeta mais limpo? Tenho a certeza de que um pouco de boas ações aqui outras ali se tornarão grandes ações. E, como se pode perceber, uma postura consciente nas mais diversas etapas da nossa construção, além de ser financeiramente viável, não só caracterizamos como uma associação preocupada com a situação do planeta, mas também queremos dar exemplos e poder conscientizar a todos para estas ações” ressaltou . 

Outro diferencial da construção foi o cuidado com a arquitetura. O arquiteto e urbanista Luiz Fernando Lemos Rocha, idealizador do projeto do Novo Shopping Popular, conta como tudo foi idealizado.
 
“A principal ideia foi manter o resgate histórico do bairro do Porto em Cuiabá, este que pode ser considerado o mais antigo da cidade e cartão de visita, localizado em um dos principais acessos da capital”,” declarou.

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A fachada do Shopping Popular continua seguindo a orientação arquitetônica do bairro
Rocha explicou que a ideia é manter um traço urbano colonial de época, com uma característica histórica, mas ao mesmo tempo com uma identidade própria, levando ao visualizador da edificação a se lembrar de um “mercado público antigo”. E, assim, possibilitar a preservação da memória não só do bairro, mas também dos camelôs que ali se estabeleceram.

Dentre as principais características da edificação estão molduras aparentes e arcos sobre as portas de acesso, molduras essas muito utilizadas em casarões antigos, como exemplo o Mercado Público (museu do rio), Casa do Artesão, Sesc Arsenal, Palácio da Instrução, dentre outros prédios históricos que preservam o estilo colonial antigo.

“A Ideia de tornar a nossa fachada com referência história surgiu de um entendimento que tivemos na elaboração do contrato de concessão, com a Prefeitura, de onde nasceu o TAC (termo de ajustamento de conduta) com Ministério Público”, afirmou Misael Galvão.

A História do Shopping Popular 


Reprodução
Documentos históricos foram coletados para a confecção do livro sobre os trabalhadores
Antigamente conhecido como camelódromo ou mesmo "paraguaizinho", esse Shopping Popular foi criado em 21 de abril de 1995, em meio a conflitos, discussões e opiniões controversas, conta Misael Oliveira Galvão, presidente da Associação dos Camelôs do Shopping Popular.

“No final dos anos 80 para o início dos anos 90, a economia do país estava indo de mal e muitos pais de famílias acabaram sendo demitidos de seus empregos e não conseguindo voltar mais no mercado de trabalho; A opção era ir para as ruas e tentar sobreviver no comércio informal, montaram suas barracas cada uma de um tipo de produto. Com isso, as praças, ruas iam tomando forma, sendo cada vez mais ocupadas por este tipo de comércio. No centro da cidade, começou a virar problema, pois Cuiabá é uma cidade não planejada, então tinha pouco espaço nas calçadas, e cada vez mais, ocupadas pelos comerciantes autônomos”, lembrou. 

Em 1992, já era aproximadamente 400 camelôs que trabalhavam normalmente no centro da cidade, com suas barracas que, a cada manhã, estavam posicionadas para um novo dia de trabalho. 

No entanto, neste período, a Prefeitura da Capital, sob o comando do coronel José Meireles, iniciou um diálogo sobre a organização e retirada desses populares para novos locais apropriados, em uma tentativa de “organizar a cidade”. 

“Naquela época, eu era um líder de rua, mas um líder que também era camelô e sabia das nossas preocupações. Houve muita discussão entre a prefeitura e a categoria dos camelôs, mas não houve entendimento. Ainda faltou diálogo de ambas as partes”, assegurou.

Na tentativa de se manter no mercado, a categoria teve que se unir e criar a associação. A intenção era organizar o novo espaço de trabalho para garantir melhorias, principalmente na infraestrutura que, no início era precária. 

Desse modo, foram instituídas além da própria associação, diretorias que pudessem administrar a nova empresa que seria o Shopping Popular.

Misael lembra que foi preciso mudar a mentalidade dos próprios camelôs, para que ali se mantivessem e não voltassem para as ruas.

“Para isso, foi necessário manter um diálogo com a prefeitura. Aafinal, era preciso mais que dois banheiros e duas salas para fazer com que camelôs se tornassem microempreendedores. Com uma conversa com a prefeitura, nós pagamos 50% e a prefeitura pagou 50% para melhorarmos a estrutura do shopping, principalmente no que se refere à cobertura, aí começaram a avançar as coisas”, afirmou.

Além disso, a própria sociedade também ajudou a solidificar o nome do Shopping Popular no cenário do comércio popular. 

No dia 21 de abril de 2015, o Shopping Popular completou 20 anos. E toda a história de luta e sucesso, que começou muito antes, há pelo menos 30 anos, será narrada em um livro. A intenção é imortalizar a história. 

“Queremos transformar toda a nossa luta em exemplo de garra, esperança e determinação em busca dos objetivos”, disse Misael.

O livro está sendo escrito pela jornalista Sandra Carvalho, que está resgatando fatos, reportagens, imagens e também personagens. E para isso, conta com a ajuda daqueles que contribuíram de alguma forma na construção dessa história.


Fonte: Midia News
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