634 vezes Fábio: Das críticas, ao reconhecimento e sucesso no Cruzeiro

634 vezes Fábio: Das críticas, ao reconhecimento e sucesso no CruzeiroFábio Deivsson Lopes Maciel, um nome muito conhecido por toda torcida brasileira e principalmente, pela torcida cruzeirense. Goleiro e ídolo do Cruzeiro, Fábio se tornou, na vitória da Raposa ante o Vasco, por 3 a 1, no último sábado (13), em São Januário, o atleta com mais partidas pelo time celeste, disputando 634 jogos, totalizando 57.060 minutos dentro de campo com a camisa azul e branca, ultrapassando Zé Carlos, com 633 duelos defendendo a equipe estrelada.

Natural de Nobres/MT, o goleiro começou sua carreira atuando pelo União Bandeirante-PR em 1997 e no ano seguinte defendeu Atlético Paranaense, por empréstimo. Já em 1999 e 2000, Fábio atuou pela primeira vez no Cruzeiro, participando do banco de reservas, da conquista da Copa do Brasil, sobre o São Paulo, por 2 a 1. O goleiro ainda defendeu o Vasco, de 2000 a 2004, porém o presidente do cruz-maltino, Eurico Miranda, acusou o jogador de não se reapresentar ao time, sendo bloqueado de jogar na equipe carioca e de ser negociado com qualquer outra agremiação. Fábio ficou quatro meses parado, quando entrou na Justiça do Trabalho contra o Vasco, e negociou sua ida para o Cruzeiro, causando uma impressão ruim e raiva, até hoje, da torcida vascaína.

Confira um pouco mais sobre a história de Fábio defendendo as cores da Raposa, desde 2005:

O começo de uma nova era no Cruzeiro

Após decisão judicial contra o Vasco, Fábio retornava ao Cruzeiro em 2005, após passagem apagada em 2000. Naquela época, o goleiro enfrentava a concorrência de Artur e Doni, porém os dois não conseguiram substuituir Gomes, arqueiro campeão da Tríplice Coroa com a Raposa em 2003, à altura, assim, Fábio teve a oportunidade de vestir a camisa 1 da equipe celeste. Tudo estava indo bem para o goleiro recém-contratado, sofrendo apenas dois gols em seis partidas, mas tudo começoua ruir quando o jogador disputou o seu primeiro clássico como titular, contra o Atlético-MG. Na ocasião, a Raposa perdeu por 2 a 0, e ao final da partida, Fábio foi bastante criticado pelo torcedor celeste, após sofrer um gol de falta do meia Rodrigo Fabri, gol que para muitos torcedores, a bola era defensável.

A comissão técnica manteve a confiança em Fábio, que deu a volta por cima justamente, contra o arquirrival Atlético, mas dessa vez, disputando as semifinais do Campeonato Mineiro. Na primeira partida, a Raposa venceu por 1 a 0, enquanto empatou o jogo de volta por 0 a 0. Em ambos os duelos, a presença de Fábio foi fundamental para que o Cruzeiro conseguisse a classificação para as finais do Estadual, contra o Ipatinga. Mas o sucesso que o defensor conseguiu em brilhantes semifinais na competição, foram por água abaixo ante o clube do Vale do Aço, após o empate da Raposa, fora de casa, por 1 a 1, e o tropeço no Mineirão por 2 a 1, sendo Fábio responsabilizado pela perda do Mineiro, por parte da torcida celeste.

Mais uma vez, o goleiro permaneceu na meta cruzeirense, e era a vez de disputar a Copa do Brasil, diante do modesto Paulista de Jundiaí, na semifinal da competição nacional. A classificação da Raposa para as finais, já estava praticamente decidida, com um 3 a 0 aberto logo nos primeiros 45 minutos de partida. Mais eis que surge Cristian, que marcou dois gols de falta, idênticos, garantindo a classificação do time paulista para a decisão, sobrando para Fábio, apenas a responsabilidade pela eliminação da equipe celeste da Copa do Brasil.

O fatídico "gol de costas" sofrido pelo rival Atlético-MG e a redenção de Fábio

Outro acontecimento triste na carreira de Fábio, ocorreu na partida contra o arquirrival Atlético-MG, na final do Campeonato Mineiro de 2007. Após levar o terceiro gol, marcado por Marcinho, de pênalti, o goleiro se lamentava enquanto ia ao fundo das redes buscar a bola da cobança convertida de penalidade máxima, porém não escutou o apito do árbitro dando reinício à partida. O Cruzeiro se atrapalhou na saída de bola, fazendo com que o atacante do Galo, Vanderlei, fosse para o ataque, fazendo o quarto gol, deixando o goleiro celeste sem saber o que tava acontecendo.

O lance ficou marcado na história dos atleticanos, que sempre relembram o fato, e na cabeça dos cruzeirenses. Após o fatídico gol, Fábio ficou quatro meses afastado dos gramados, por uma lesão no joelho, sofrida no segundo gol do Atlético-MG na partida, na qual o goleiro tentou evitar o gol de Danilinho, porém seu joelho acabou se chocando contra a trave. Fábio retornou ao elenco titular na 12ª rodada do Brasileirão, e após a volta do goleiro, a média de gols sofridos pela Raposa na competição, diminuiu bastante, contribuindo com o credenciamento da equipe celeste para a disputa da Copa Libertadores da América do ano seguinte, e com a redenção de Fábio, que já apresentava sinais significativos, com o reconhecimento do torcedor.
Foto: Reprodução

2008/2009: A afirmação de Fábio com a chegada de Adilson Batista e a partida épica em La Plata

Fábio se firmou no gol cruzeirense em 2008, com a entrada de Adilson Batista como tecnico do time. Na temporada, o Cruzeiro disputou no inicio do ano, o Campeonato Mineiro, e paralalelamente a Pré-Libertadores. Foi campeão Mineiro naquela ocasião, superando a dificuldade do ano anterior e vencendo o Atlético-MG na primeira partida por 5 a 0.  Na Libertadores, o time alcançou somente as oitavas de finais, quando foi eliminado pelo Boca Juniors, no Mineirão, por 2 a 1. No Campeonato Brasileiro daquele ano o Cruzeiro teve um ótimo ínicio, mas perdeu espaço para Grêmio e São Paulo. Nesse ano, Fábio foi importante nos jogos contra o Atlético-MG no segundo turno da competição, além da partida contra o Internacional, onde o goleiro defendeu um pênalti de Nilmar.

Adilson Batista exigiu bastante de Fábio, uma vez que em 2007, o jogador pesava mais de 100kg e no ano seguinte com a chegada do treinador, o goleiro perdeu um pouco do peso, fazendo com que sua performance em campo, melhorasse, assim, ganhando destaque na imprensa nacional, e tendo seu nome cotado para defender a seleção Brasileira, na ocasião, comandada pelo técnico Dunga.

Já na temporada seguinte, o Cruzeiro começou o ano disputando o "Torneio de Verão", no Uruguai, contra o Nacional, Peñarol e o arquirrival, Atlético-MG. Na final da competição, a Raposa venceu o Nacional por 4 a 1, com direito a uma defesa de pênalti feita por Fábio. No Campeonato Mineiro, assim como 2008, a equipe celeste goleou o Galo por 5 a 0, com o goleiro fazendo boas defesas, novamente. Pela Libertadores, o clube mineiro eliminou o São Paulo, e Grêmio, nas oitavas e quartas de final, respectivamente, e mais uma vez, Fábio brilhou nas duas partidas.

A Raposa chegou nas finais da competição continental, enfrentando o Estudiantes-ARG, e o primeiro jogo da decisão, foi em La Plata, e foi em solo argentino que Fábio se consagrou, fazendo a melhor partida com a camisa do Cruzeiro, em todos estes anos de clube. O time argentino foi incisivo no ataque, e o goleiro celeste, interceptava a favor do Cruzeiro, pegando todos os arremates de Verón e seus companheiros de equipe, garantindo o 0 a 0 no placar, levando a decisão da Libertadores para o Mineirão, aumentando a confiança do torcedor celeste.

Porém, toda a confiança da torcida, foi transformada em uma enorme desilusão, após a vitória da equipe argentina por 2 a 1, sendo os dois gols marcados após cruzamentos para a área. Fábio apenas assistiu as bolas cruzadas para a grande área, e a conclusão dos argentinos para o gol. Após a fatídica derrota, o Cruzeiro tinha que continuar a temporada disputando o Campeonato Brasileiro, e na partida seguinte, contra o Corinthians, no Mineirão, a Raposa acabou sendo derrotada por 2 a 1, porém neste duelo, Fábio acabou defendendo um pênalti cobrado por Ronaldo.
Foto: Getty Images

Reconhecimento por parte do torcedor e da impensa, mas a seleção brasileira...

Apesar de todos os problemas sofridos no começo de sua trajetória pelo Cruzeiro, Fábio se firmou na titularidade da Raposa, não dando chance para nenhum reserva e se tornando um dos melhores goleiros do país. Mesmo com todos os elogios de jogadores, tecnicos, torcedores e da imprensa, o goleiro teve pouquíssimas chances na Seleção Canarinho e deixou claro seu desapontamento com tal realidade: “Se você se dedica no seu trabalho e vem se destacando e não tem o reconhecimento máximo que é a seleção, não tem coerência”, disse Fábio, no programa Bem, Amigos!, do canal SporTv. O jogador foi convocado algumas vezes para a seleção, mas jamais estreiou com a amarelinha.

Tais dificuldades em sua carreira não superam as ínumeras virtudes. Em todos os jogos que o Cruzeiro é mandante, o grito de "é o melhor goleiro do Brasil, Fábio!" ecoa nas arquibancadas, vindo de uma torcida que admira e confia no goleiro. O atleta já venceu diversos premios pelo Cruzeiro, como o Troféu Telê Santana, a Bola de Prata, o Premio Craque do Brasileirão, Troféu Globo Minas e Premio Ginga. E, independente desses problemas, o jogador se tornou um exemplo para qualquer goleiro que inicia no futebol brasileiro, e entrou para a história do time não só por ser o jogador que mais atuou pela Raposa como também pelos títulos que venceu no Cruzeiro, como a Copa do Brasil de 2000, o Campeonato Mineiro de 2006, 2008, 2009, 2011 e 2014 e o Bicampeonato Brasileiro de 2013 e 2014. 

Fábio teve no total 634 jogos, 353 vitórias, 123 empates e 158 derrotas. E agora mostra mais uma vez como é importante para torcida cruzeirense.
Jogadores que mais atuaram pelo Cruzeiro:

1 - Fábio: 634 jogos
2 - Zé Carlos: 633 jogos
3 - Dirceu Lopes: 610 jogos
4 - Piazza: 566 jogos
5 - Raul: 557 jogos
6 - Eduardo Amorim: 556 jogos
7 - Vanderlei: 538 jogos
8 - Joãozinho: 485 jogos
9 - Palhinha: 457 jogos
10 - Ademir: 442 jogos
Foto: Washington Alves/Lightpress
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