Pilotos de avião se dedicam a desvendar os "mistérios do céu"

Quem nunca quis voar, viajar por entre as nuvens e, como pássaros, explorar a imensidão do céu? Essa é uma vontade que, pelo menos uma vez ou outra, todos devem ter sentido.

Os pilotos de avião, profissionais que se dedicam a desvendar os "mistérios do céu", detêm a habilidade absoluta quando o assunto é voar.

Muito estudo e habilidades físicas e psíquicas são apenas algumas das características que o piloto de avião deve ter.

Thiago Amorim, de 30 anos, por exemplo, está engrenando na profissão há pouco tempo.

Em entrevista ao MidiaNews, ele contou que, após se formar em Arquitetura, desistiu da profissão para entrar de cabeça na aviação.


Ele lembrou que o sonho de ser piloto sempre marcou sua vida.

“Eu sempre fui fascinado por aviões, é um sonho que tenho desde criança. Depois que terminei a faculdade, decidi fazer o curso para piloto privado. Consegui conciliar o curso com meu trabalho por determinado tempo, depois não tive mais como fazer isso. Foi quando decidi abraçar a aviação com dedicação, disciplina e foco”, disse.

Arquivo pessoal
piloto
Thiago Amorim, de 30 anos, está engrenando na profissão há pouco tempo. Ele trocou a arquitetura pela aviação
Seu primeiro passo foi fazer um curso teórico, durante quatro meses, seguido de 40 horas de aulas práticas de vôo, acompanhado de um instrutor.

Para complementar o curso, Amorim ainda fez faculdade de aviação por dois anos. Ele agora está na próxima etapa de sua carreira, que é o curso de piloto comercial.

“Depois de terminar o curso, pretendo trabalhar em táxi aéreo e me preparar mais. Vou terminar o curso de inglês para participar de processos seletivos de companhias aéreas. Porque esse é um requisito que exigem na maioria dos processos seletivos. Pretendo seguir carreira de linhas aéreas, esse é o meu sonho”, contou. 

Já para o instrutor Thiago Rodrigues, de 33 anos, que veio de São Paulo para morar em Cuiabá, a paixão por voos e o sonho de ser piloto começaram em uma casa onde morou, próximo a aeroporto.

Rodrigues conseguiu realizar o seu sonho e hoje divide seu tempo entre as salas de aulas e "os céus".

“Sempre gostei de aviação e, quando eu mudei para Mato Grosso, o prédio onde morava ficava perto do aeroporto. E vivia na janela, olhando os aviões pousarem e decolarem”, disse.

Thiago Rodrigues disse que foi motivado por um amigo de infância a começar na aviação como comissário de bordo. Mas, assim que terminou o curso, ele não quis mais continuar e decidiu economizar para se tornar piloto.

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curso de piloto
Thiago Rodrigues, de 33 anos, conseguiu realizar o seu sonho e divide seu tempo hoje entre as salas de aulas e "os céus"
“Meu amigo é comandante da Gol e, por intermédio dele, comecei o curso de comissário. Mas não era o que queria e logo decidi que queria mesmo era seguir a carreira de piloto. Eu comecei a trabalhar, fiz empréstimos, consegui juntar dinheiro para fazer o curso. Em 2010, me convidaram para ser professor teórico; depois, tirei minha carteira de instrutor, e é o que sou até hoje”, disse.

Rodrigues ainda revelou como é a sensação de trabalhar como piloto: “A paisagem muda a cada instante na janela do ‘nosso escritório’. Nunca vemos o mesmo local, sempre há coisas novas. Tudo foge do normal. Esse é um privilégio que temos”.

Os pilotos alertam para os que sonham com a profissão que o treinamento exige muita dedicação e capacitação.

Entre a questões estão: responsabilidade, concentração, autocontrole, controle emocional, capacidade de trabalhar sob pressão, capacidade de rápida adaptação às mudanças operacionais, capacidade de trabalhar em equipe, raciocínio rápido, raciocínio espacial, paciência, agilidade, comprometimento e disciplina.

"Tem que ter dedicação, não adianta só pagar para ter as aulas e achar que é só isso e pronto. Você tem que ter um tempo pra estudar, buscar o seu próprio conhecimento. Nada na vida se consegue dormindo ou de graça. Você tem que sentar, estudar e procurar tirar suas dúvidas. Só é difícil pra quem não quer”, disse Rodrigues.

Carreira

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Muito estudo e habilidades físicas e psíquicas são apenas algumas das características que o piloto de avião deve ter
Para se tornar piloto, é necessário um investimento que vai de R$ 10 mil a R$ 50 mil, e requer muita dedicação e também dinheiro.

Até o piloto se estabilizar profissionalmente leva um tempo.

As companhias aéreas começam a contratar os pilotos que tenham, no mínimo, 500 horas de vôo.

A rotina, até que saia o brevê [carta para pilotar as aeronaves], é árdua e dividida entre horas de voo e aulas teóricas.

De acordo com o diretor presidente do Aeroclube de Várzea Grande (AeroVag), José Vargas, 72 anos, a carreira de piloto exige muita dedicação, estudo, disciplina e planejamento para atingir seus objetivos.

Vargas é piloto há 50 anos e está há 37 anos na capital mato-grossense, contribuindo para a formação de novos profissionais.

Neste ano, a escola completará 25 anos no mercado e é considerada uma referência no Estado.

Curso de piloto

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Diretor-presidente do Aeroclube de Várzea Grande (AeroVag), José Vargas, de 72 anos, é piloto há 50 anos
“O primeiro passo para quem quer se tornar um piloto é tirar o brevê de PP [Piloto Privado], com no mínimo 50 horas de vôo. Esse é apenas o começo, pois assim pode tentar ingressar como copiloto na aviação executiva, ou fazer o curso de INVA [Instrutor de vôo], para acumular as horas de experiências”, disse Vargas.

O curso para piloto privado dura um ano. Após isso, o próximo passo é realizar o curso de piloto comercial, que vai poder permitir trabalhar em empresas comerciais ou de táxis aéreos.

Além disso, é preciso que o piloto faça um teste de língua inglesa e obter o ICAO, que vai permitir voar como piloto internacional, ou simplesmente por critério de algumas companhias aéras.

Segundo Vargas, o salário inicial para um copiloto e piloto é relativamente bom.

Para copiloto, está em torno de R$ 5 mil a R$ 7 mil; para piloto, varia entre R$ 16 mil a R$ 20 mil.

No entanto, com a crise do Brasil, o setor da aviação, assim como tantos outros, está com baixa procura por profissonais.

“Apesar de ser um curso caro, a remuneração é boa. Hoje, a procura é pouca, por conta da conta da situação econômica do Brasil. E, com isso, estamos em crise em todos os setores, inclusive, na aviação. As empresas estão vendendo aviões que operavam no Brasil. E, com a reestruturação das empresas aéreas, o piloto que é formado no Brasil busca emprego fora, desde que ele tenha uma habilitação em inglês”, disse o veterano piloto.

Em Mato Grosso, existem hoje três escolas de aviação homologadas – duas em Cuiabá e uma em Sinop.

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