Deputado afirma que voto a favor de Eduardo Cunha foi "técnico"

O mato-grossense Carlos Bezerra (PMDB), um dos 12 deputados da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara que votaram a favor do recurso de Eduardo Cunha (PMDB) contra o processo de cassação do seu mandato, afirmou que seu voto foi "estritamente técnico".

Na semana passada, a CCJ rejeitou o parecer do deputado Ronaldo Fonseca (Pros), que recomendava a anulação da votação do Conselho de Ética, que foi favorável à cassação do mandato do ex-presidente da Câmara Federal.

“Meu voto foi técnico. A CCJ é uma comissão técnica, e não política. Sobre o ponto de vista técnico, a meu ver, o Conselho de Ética falhou. O processo deveria voltar para ser votado novamente”, declarou Bezerra.

O meu voto não quer dizer que estou inocentando Eduardo Cunha. Mas, sou advogado e conheço a Lei e o Regimento. Acredito que eles exorbitaram um pouco

“O meu voto não quer dizer que estou inocentando Eduardo Cunha. Mas, sou advogado e conheço a Lei e o Regimento Interno. Acredito que eles exorbitaram um pouco”, completou.

No total, 48 deputados que compõem a CCJ votaram contra Cunha. Entre estes votos, está o do deputado Valtenir Pereira (PMDB).

Análise do Pleno

Como os deputados se recusaram refazer a votação no Conselho de Ética, o processo de cassação de Eduardo Cunha vai para plenário da Casa, e deve ser analisado após a volta do recesso parlamentar, em agosto.

Questionado sobre seu posicionamento na votação que deve decidir o futuro de Cunha, Carlos Bezerra preferiu não antecipar seu voto.

Bezerra relembrou a votação da admissibilidade do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT).

Antes da votação, os rumores apontaram que ele iria votar contra a instalação do processo de impedimento, o que chegou a gerar críticas. O parlamentar, no entanto, votou “sim”.

“Nessas matérias, eu não costumo adiantar o meu posicionamento. Como no caso do impeachment. Não adiantei meu voto. Fizeram mil especulações sobre meu voto. Colocaram até outdoor nas cidades, contra mim. Tinha que meditar muito para tomar uma posição”, declarou.

“Tem político que é oportunista, que fica falando e querendo aparecer em cima dessas polêmicas. Eu sou contra quem quer aparecer. Essas questões são desairosas. Não devemos querer aparecer por isso”, completou.

O processo

Na última semana, o deputado Ronaldo Fonseca apresentou seu parecer, acatando um dos pontos do recurso de Eduardo Cunha em relação a supostas irregularidades ocorridas na votação no Conselho de Ética da Casa e pediu a anulação do pleito.

Segundo ele, a chamada nominal feita pelo presidente do conselho, José Carlos Araújo (PR-BA), foi "ilegal".

Há um mês, o Conselho de Ética aprovou, por 11 votos a nove, a cassação de Cunha por quebra de decoro parlamentar.

Cunha é acusado de mentir na extinta CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras, ao negar ter contas no exterior.

Posteriormente, a Procuradoria-Geral da República confirmou a existência de contas na Suíça ligadas a ele e a seus parentes. Cunha nega ser o titular das contas.

A representação contra Cunha foi entregue em outubro de 2015, mas seu andamento tem sofrido atrasos por causa de ações de aliados, que são acusados, por deputados que querem a cassação do peemedebista, de promoverem "manobras" para beneficiar o parlamentar do PMDB e adiar o desfecho do caso.

No início do mês, Cunha renunciou à presidência da Câmara, depois de cerca de dois meses afastado do cargo por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

Fonte: Mídia News
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