13 mil em MT cancelam planos de saúde

saúdeMais de 13 mil mato-grossenses cancelaram a contratação de planos de saúde só nos primeiros nove meses deste ano. Em janeiro, eram 543,6 mil beneficiários ante os 530,5 mil registrados em setembro, queda de 2,4%. Se comparado com o mesmo mês do ano anterior a queda é 1,6%, quando 539,1 mil eram contemplados com os planos. Os números são da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regulariza os planos de saúde no Brasil.
Entre os fatores econômicos que influenciaram diretamente essa queda, está a retração do Produto Interno Bruto (PIB) e da renda das famílias e o aumento na taxa de desocupação, conforme consta no Boletim “Conjuntura Saúde Suplementar”, produzido pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar.
O superintendente executivo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), Luiz Augusto Carneiro, explica que há uma relação direta entre a taxa de desocupação, aferida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) do IBGE, e a redução do total de beneficiários de planos coletivos. “A deterioração do mercado de trabalho impacta diretamente na contratação de planos coletivos, especialmente nos coletivos empresariais”, afirma.
Para se ter ideia, a taxa de desocupação chegou a 9,8%, um acréscimo de 3,6 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior no Estado. No que se refere ao país, a taxa de desocupação chegou a 11,3% no primeiro semestre deste ano. Isso impacta diretamente nos planos coletivos empresariais, que são pagos total ou parcialmente pela empresa contratante como um benefício para o funcionário. “Assim é natural que o total de beneficiários desse tipo de planos diminua com a redução do total de pessoas empregadas”, ressalta.
Isso aconteceu com a administradora Larrisa Souza, que trabalhou por quatro anos no setor de Recursos Humanos de um shopping na capital. Na hora de reduzir as despesas, além de campanhas quanto à conscientização do uso da água e energia elétrica, o empreendimento também reduziu o quadro de funcionários. “Foi complicado, pois não pude estender por muito tempo a contratação do meu plano e do meu filho, desde então estamos sem seguro saúde”.
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Superintendente Executivo do IESS, Luiz Carneiro, cita reflexos da deterioração do mercado
Ela explica ainda que caso fosse contratar um seguro saúde particular, com coparticipação, modalidade em que o cliente contribui com parte do valor das consultas e exames, não gastaria menos que R$ 380, dinheiro que ela não tem no momento.
Ainda segundo a Pesquisa, em um ambiente de desemprego em alta, o rendimento médio dos trabalhadores acabou caindo e atingiu R$ 1.972. Sobre o 1º trimestre, a renda diminuiu 1,5% e em relação ao 2º trimestre do ano passado, a queda chegou a 4,2%. Foi o que aconteceu na casa da dona de casa Jaqueline dos Santos, cuja renda caiu cerca de 40% de um ano para outro.
“Como tínhamos outras dívidas acumuladas não foi possível manter o plano que tínhamos há quase 20 anos”, lamenta. Ela e o marido, que estão na faixa dos 40 e 50 anos, desembolsavam cerca de R$ 1,2 mil mensais para a manutenção do plano. O casal optou por continuar pagando apenas o plano da filha, que possui uma doença congênita e precisa constantemente de cuidados médicos, inclusive fora do Estado. “Foi uma decisão difícil, mas não havia outra saída”, lamenta.
De todo modo, Jaqueline ressalta que o casal já está a procura de planos com valores mais acessíveis, pois teme contar com a saúde estadual. “Já identificamos planos menos conhecidos que oferecem opções de acordo com o nosso bolso. Talvez tenhamos menos opções de serviços, mas é uma pré garantia de que seremos atendidos em caso de necessidade”.
Números
Dos 3,2 milhões de mato-grossense, apenas 17,03% possuem planos de saúde. Dos 530,5 mil beneficiários, 77,5 mil optaram por planos individuais ou familiares, enquanto mais de 451,9 mil estão contemplados em planos coletivos. Ainda de acordo com a ANS, a sinistralidade, ou seja, a relação entre os custos sobre as receitas de uma operadora, é de 84% no Estado. No último levantamento, a Agência mostrou que as receitas somadas das operadoras chegam a R$ 739,9 milhões e as despesas somam R$ 691,1 milhões, diferença de R$ 48,8 milhões. 
Fonte: RD NEWS
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