Estupros em série fazem Cuiabá entrar em alerta

Na contramão do que está ocorrendo no resto do país, aumentaram em Mato Grosso os casos de estupro nos dois últimos anos pesquisados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2014 e 2015).
Em Mato Grosso, 2.778 pessoas foram estupradas neste período. Outras 330 escaparam de tentativas de estupro.
Conforme do 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o número de estupros cresceu somente em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Piauí. Em todos os outros estados, diminuiu.
Nos últimos dias, volume de casos registrados, na capital mato-grossense e nos municípios interioranos - um deles na manhã da segunda-feira (21) em pleno Centro de Cuiabá - chama atenção para esta prática "medieval", que atinge em sua maioria vítimas mulheres e crianças, preferencialmente meninas.
A presidente do Conselho Estadual da Mulher, Rosana Barros, afirma que o problema é o domínio cultural masculino sobre o feminino.
Chico Ferreira

Presidente do Conselho da Mulher sugere campanha
"Só tenho isso a dizer, somos reconhecidos como um Estado machista", critica, acreditando que este não seja um problema só de polícia ou de saúde e muito mais comportamental.
Ela acredita que um bom exemplo de política pública que seria eficiente contra o estupro seja uma ampla campanha informando que é crime hediondo com pena superior a 6 anos de cadeia. "Ou seja, é regime fechado, porque é grave", ressalta.
Rosana lembra ainda que a legislação vigente define estupro não somente quando ocorre penetração mas sim práticas invasivas, como passar a mão e sexo oral, por exemplo.
A raiz deste problema em Mato Grosso tem relação com a forma de colonização do Estado, na opinião dela. "Temos influência da vida no campo e em garimpo, ambientes machistas", aponta.
Assessoria

Psiquiatra confirma que 'doentes' são raros
A psiquiatra Renee Elizabeth entende que os casos psiquiátricos ou de transtornos de personalidade que levam ao estupro são raros e muitos específicos.
De modo geral, a médica também acredita que o potencializador desses crimes seja o aspecto cultural, o machismo.
"Sou do Rio e quando vim para cá, para Cuiabá, há 20 anos, me chocou muito o número de estupros aqui e acho que isso tem a ver com a forma de colonização e atualmente também com o uso de drogas", comenta.
Quem usa drogas, algumas delas, perde o controle e pode invadir o espaço do outro, inclusive de forma violenta.
No caso do sexo, a psiquiatra afirma que saem do campo do saudável todos os casos que não são consensuais, ou seja, aprovado pelas partes.
"A mulher saiu, de modo geral, da condição de passiva e está tendo atitudes ativas, nas baladas por exemplo ou mesmo em casa e se aproxima do homem, às vezes porque quer conhecê-lo, conversar ou mesmo se relacionar com ele, mas, se ela recua, ele pode não entender isso e forçar uma situação e isso não pode acontecer", veta a psiquiatra.
Quanto à pedofilia, já que em boa parte dos casos de estupro crianças são vítimas, ela ressalta que um pedófilo nem sempre estupra.
"Ele pode ficar vendo vídeos, fotos ou querendo apenas estar perto, pegar no colo, tocar e sentir o cheiro", explica.
Casos registrados neste mês
22 de novembro
Pai de duas crianças, J.G.O, de 25 anos, é preso suspeito de praticar sexo oral na filha de 2 anos, em Cuiabá. Uma testemunha procurou a Delegacia de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica) e denunciou o crime de estupro de vulnerável e abandono de incapaz. A mãe da criança, de 22 anos, é acusada de abandoná-la para fazer programas sexuais à noite e deixá-la sozinha ou na companhia de usuários de drogas e prostitutas. O caso é do bairro Cidade Alta, na capital.
No mesmo dia, outro caso repercutiu. Suspeito é acusado de invadir uma casa, no bairro Duque de Caxias, também na capital, e violentar uma mulher de 26 anos. A mãe dela presenciou o crime. De acordo com informações policiais, o suspeito usava uma camisa no rosto e imobilizou a vítima com uma faca, obrigando-a a manter a relação sexual às 4h da madrugada.
21 de novembro
Uma mulher foi estuprada no Centro de Cuiabá, por volta de 6h30 da manhã, próximo do Cemitério da Piedade. Estava chovendo na hora do crime, conforme a vítima. Ela contou que havia deixado a filha na escola e voltava para casa de guarda-chuva. Foi socorrida e levada ao Pronto Socorro Municipal de Cuiabá. Ela detalhou que o agressor é um homem magro, moreno, vestindo camisa branca, cabelos lisos. Com um tijolo na mão, ele a ameaçou de morte, caso não o acompanhasse até uma casa abandonada, onde houve o estupro.
19 novembro
Um porteiro de 47 anos foi preso acusado de estupro contra a sobrinha de 10 anos, em Cuiabá. O suspeito ficou sozinho com a menina, o irmão dela de 7 anos e a filha dele de 2, em uma casa no bairro Doutor Fábio Leite, em Cuiabá. J.N.O. foi autuado pelo delegado plantonista da Central de Flagrantes, por estupro de vulnerável e passaria por audiência de custódia no Fórum da Capital. Ele negou o crime.
18 de novembro
O funcionário de uma escola pública acusado de abusar sexualmente de uma criança de 5 anos foi preso pela Polícia Civil, em Barra do Bugres (168 quilômetros a Médio-Norte de Cuiabá), poucas horas após ser denunciado pelo crime. O suspeito, L.D.A.S, 24, atuava como Técnico de Desenvolvimento Infantil, na unidade escolar pública onde os abusos aconteceram.
17 novembro
Adolescente de 13 anos foi estuprada pelo vizinho, de 22, em Cuiabá. D.S.B e a vítima moram no bairro Jardim Passaredo. O rapaz invadiu a casa da adolescente, que estava sozinha, no período da manhã, e forçou a relação sexual sob a mira de uma faca. A adolescente G.A.S.A contou que a mãe tinha saído para trabalhar e ela foi obrigada a manter a relação sexual. Após o ato, o suspeito deixou o local e a menor pediu ajuda para uma vizinha, que acionou a Polícia Militar.
16 de novembro
Pai e filho foram presos em Cuiabá suspeitos de estuprarem menina de 12 anos. A criança é filha de E.T., 54, e irmã de E.T.J., 24. De acordo com a Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica), os 2 cometeram atos de abuso contra a criança. A menina foi retirada da residência com apoio do Conselho Tutelar, depois de denúncia. A mãe da menina faleceu a cerca de 30 dias. Ela foi ouvida pela equipe psicossocial da Deddica e confirmou estupros com conjunção carnal, praticados tanto pelo pai, quanto pelo irmão. A violência estariam ocorrendo há pelo menos 2 anos. Exame de corpo delito constatou ruptura antiga de hímen.
15 novembro
Polícia Judiciária Civil prendeu dois homens acusados de abusar sexualmente de uma menina de 10 anos, em Juscimeira (157 quilômetros ao Sul de Cuiabá). A mãe disse à polícia que o pai da menina, G. S.A., 31, e o vizinho, I.O. A., 51, estavam abusando dela. A Polícia vai apurar se eles abusavam juntos da menina ou em separado.
12 novembro
Uma mulher de 49 anos foi estuprada pelo irmão, de 24, em Cuiabá. Ele a obrigou a praticar sexo oral nele, sob ameaças. Eles são filhos da mesma mãe, mas de pais diferentes. Era um sábado de manhã, no bairro Doutor Fábio Leite. M.C.S relatou à Polícia Militar que o irmão estava passando uns dias na casa dela e que após o marido saiu para trabalhar, por volta das 8h da manhã. Depois de despedir do marido, ela voltou a se deitar, quando sentiu alguém deitar-se ao lado dela. Afirma que gritou mas ele lhe tapou a boca. 
Aos prantos, implorou para que a soltasse, pois precisava ir até a cozinha tomar água e ele a soltou. Na cozinha, o irmão apareceu nu e, antes que ela conseguisse sair da casa, exigiu que ela fizesse sexo oral nele, caso contrário a levaria até o quarto e manteria relação sexual à força. Após praticar o ato, que configura como estupro, de acordo com o Código Penal, a mulher correu para a casa do sogro, onde procurou socorro. O acusado, que mora em Pontes e Lacerda (448 quilômetros a Oeste de Cuiabá), região de garimpo, fugiu.
11 novembro
O criminoso foragido Francisco Borges Pinheiro Filho, 39, de Lucas do Rio Verde, foi preso em São Luiz do Maranhão, em operação da Polícia Civil. Ele é acusado de estuprar uma criança de 5 anos de idade, no dia 05 de junho de 2016. O suspeito era padrasto da criança. (Colaboraram Izabel Barrizon e Silvana Ribas)
Fonte: Gazeta Digital
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