Polícia: jovem tinha depressão profunda e recusou medicação

A bacharel em Direito Ariadne Wojcik, de 25 anos – que foi encontrada morta no Mirante de Chapada dos Guimarães (65 km de Cuiabá) na quarta-feira (09) -, estava com quadro de depressão profunda e se recusou a tomar medicamentos.

A informação foi repassada por um psiquiatra de Brasília ao delegado de Chapada, Diego Alex Martimiano, que investiga a morte da jovem.

O corpo de Ariadne foi localizado na tarde de quarta pelo Centro Integrado de Operações Áreas (Ciopear).

Ela havia desaparecido após fazer um post no Facebook denunciando o professor e procurador Rafael Santos de Barros e Silva por assédio durante um estágio no escritório de advocacia dele, em Brasília.

O delegado disse que entrou em contato com o psiquiatra, após achar o cartão dele na bolsa da jovem, que estava próxima ao corpo.

Na bolsa também havia uma carta com informações semelhantes à postagem que ela fez na rede social.

Segundo Martimiano, o psiquiatra disse que a jovem o procurou para uma consulta há menos de um mês. Ariadne mudou para Cuiabá há 15 dias.

Reprodução/Ciopaer
Ariadne
Corpo de jovem foi encontrado pelo Centro Integrado de Operações Aéreas
O médico revelou ao delegado que, na consulta, já constatou que ela tinha um quadro de depressão profunda e indicou que fizesse tratamento com medicação.

No entanto, conforme Martimiano, o psiquiatra disse que ela se recusou porque não queria tomar remédios.

Investigação

O delegado relatou que já abriu um inquérito para apurar a causa da morte da jovem e que  a investigação deve apurar se foi o quadro de depressão ou o suposto assédio que contribuíram para que ela supostamente se jogasse do Mirante.

Ainda, conforme Martimiano, o celular e o notebook da jovem devem passar por vistoria para identificar o teor da conversa entre ela e Rafael Silva.

O procurador também deverá ser intimado a depor sobre o caso.

Ele já negou as acusações e afirmou que Ariadne sofria de "distúrbios psiquiátricos".

Nesta quinta-feira, a UnB decidiu afastá-lo da instituição até que o fato seja esclarecido.

O caso

Conforme a Polícia Civil, a bacharel em Direito chegou ao mirante em um táxi.

Que na próxima reencarnação eu possa fazer uso de todo aprendizado que tudo isso me trouxe, mesmo com tanta dor e sofrimento

A principal tese é de que ela tenha se jogado de um ponto mais alto do mirante e morrido na queda. 

A jovem, que havia sido nomeada para um cargo comissionado no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, denunciou o suposto assédio no Facebook.

No post, ela contou que o suposto assédio começou quando ela estagiava no escritório de advocacia do professor em Brasília.

“Comecei no estágio novo super empolgada, eu achava aquele professor o máximo, extremamente inteligente, detalhista, perspicaz, minucioso, brilhante. Como poderia ser ruim? Até que as coisas começaram a ficar esquisitas, vários presentes injustificados, mensagens por WhatsApp totalmente fora do contexto do trabalho (P.ex: "sou seu fã", ou "você é demais") e fora de hora, muitas, muitas, muitas, perguntas de cunho pessoal. Na época eu desconfiava, mas pensava: acho que não, ele é professor da UnB, me deu 1 ano de aula, é procurador do DF, tem um currículo e uma reputação impecável, é casado, ele não faria isso”, escreveu.

“As coisas ficaram muito estranhas quando ele demonstrava que sabia todos os lugares onde eu ia, sabia o teor das minhas conversas por WhatsApp, com quem eu falava, sabia as páginas que eu acessava no meu computador pessoal”, relatou.

Na mensagem, Ariadne comentou que mesmo pedindo demissão - e conseguindo um emprego no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em Cuiabá, sua terra natal -, as perseguições teriam continuado.

“Eu achava que aqui, em Cuiabá, no emprego novo, na vida nova, eu estaria a salvo da perseguição dele, mas ele nunca desiste, nunca”, contou.

No fim, ela afirmou que está “exausta” e que não tem mais forças para desvencilhar das "artimanhas" do agressor.

“Que na próxima reencarnação eu possa fazer uso de todo aprendizado que tudo isso me trouxe, mesmo com tanta dor e sofrimento. Essa vida eu já não posso mais suportar, que Deus me perdoe e me entenda, mas ele já sabia, ele sempre sabe”, pontuou.

Fonte: Mídia News
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