Testemunha relata postura rígida de tenente afastada por morte de aluno soldado

Testemunha relata postura rígida de tenente afastada por morte de aluno soldado, mas nega desrespeito ou excessosO fotógrafo Lindomar Pereira de Araújo, que registrava o treinamento do 16º Curso de Formação do Corpo de Bombeiros na Lagoa Trevisan, momentos antes de o aluno soldado Rodrigo Claro, 21, se sentir mal, relatou em depoimento não ter presenciado situações de excesso ou tortura ao longo do trabalho. No entanto, diante das dificuldades relacionadas à atividade aquática, a tenente Isadora Ledur estaria “pegando no pé” de Rodrigo e de outros alunos. Ouvida pela corregedoria da Corporação na última semana, a testemunha também deverá entregar as fotos feitas na ocasião.

“Os instrutores cobram que os alunos façam as atividades, a tenente Ledur pegava no pé do AL SD Claro e de outro que não eram bons de água porque eles não estavam se esforçando como os demais. A Ten Ledur os ensinou no princípio das instruções de piscina, que na época eles eram muito ruins de água. Ela dizia que não podiam levar eles direto para o Manso sem ensinar primeiro o básico pra eles na piscina (Sic)”, respondeu ao ser perguntado sobre a ocorrência de situações em que os instrutores se dirigiram aos alunos com desrespeito ou palavras de baixo calão.

No documento, ao qual o Olhar Direto teve acesso, a testemunha responde a questionamentos feitos pelos advogados Eduardo F. Pinheiro, representante da tenente, e Lucas Kenji Rezente Murata, representante do tente coronel Marcelo Augusto Reveles. De acordo com ela, Rodrigo chegou a ser “rebocado” por outros dois alunos de uma parte rasa da lagoa e nega ter presenciado Ledur afundando algum aluno. A militar também teria o segurando enquanto o rebocava.

Questionado sobre o estado em que Rodrigo se apresentava, ele informou que no dia o aluno teria ficado aproximadamente 50 minutos fora da água, por sentir dores de cabeça e que não o viu vomitar. Diante da situação, a tenente disse que se ele não tivesse condições para mergulhar, que voltasse ao batalhão e relatasse o caso à coordenação.

No relato ele afirmou não ter presenciado nenhuma situação “estranha”, e disse que os alunos eram orientados a se manterem sempre próximos.  O fotógrafo também informou ter participado de um treinamento na piscina, anterior ao exercício realizado na lagoa. “Na piscina ela cobrava muito, pois quando eles nadavam lá, acabavam segurando nas raias. Então ela ia fazendo pressão mexendo nas raias e falando para os alunos continuarem.”

Em depoimento que durou mais de oito horas, Jane Patrícia Lima Claro, mãe do aluno soldado do Corpo de Bombeiros, Rodrigo Claro, morto depois de um treinamento na Lagoa Trevisan, confirmou os relatos do filho com relação a uma postura mais rígida da Tenente Isadora Ledur. Ao Olhar Direto, ela disse acreditar que a militar tenha cometido excessos, mas que não a condenará sem que o caso seja esclarecido pela corregedoria da instituição ou pela Polícia Civil, onde dois inquéritos são apurados. Ela e o marido foram ouvidos pelas duas instituições no sábado (26).

O caso 

Rodrigo ficou internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e faleceu por volta de 1h40 da quarta-feira (16). Ele teria sido dispensado no final do treinamento, após reclamar de dores na cabeça e exaustão. O Corpo de Bombeiros informou que já no Batalhão ele teria e queixado das dores e foi levado para a policlínica em frente à instituição.

Ali, sofreu duas convulsões e foi encaminhado em estado crítico ao Jardim Cuiabá, onde permaneceu internado em coma. O corpo de Rodrigo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal, mas análise preliminares não apontaram a real causa da morte e por isso exames complementares serão realizados, de acordo com a perícia criminal.


Fonte: Olhar Direto
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