Servidores não cumprimentam Taques, que desabafa em discurso

O governador Pedro Taques (PSB) fez um discurso em tom de desabafo nesta sexta-feira (20), após servidores se recusarem a cumprimentá-lo, em evento na Secretaria de Estado de Agricultura Familiar. 

Ao entregar 28 veículos para o Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT), Taques relatou que, quando chegou ao local, não foi cumprimentado por dois servidores públicos, que lhe trataram de forma ríspida.

“Quando aqui cheguei nesta sede, dois servidores não me cumprimentaram. Eu coloquei a mão para cumprimentá-los, mas eles tiraram a mão. Eu senti nos olhos desses servidores o nojo e a raiva”, desabafou em discurso.

A decisão mais difícil que tomei como servidor público [...] foi não pagar a RGA do nosso Estado, pois eu sei a importância disso para vocês

Taques declarou que tal tratamento tinha relação com o fato de ter decido não pagar a Revisão Geral Anual (RGA) de forma integral no ano passado.

Sobre a questão, o governador disse que esta foi a decisão mais difícil de sua vida.

“Quero dizer ao servidor que está aqui: a decisão mais difícil que tomei como servidor público – e olha que já tomei decisões quanto a pedido para mandar prender João Arcanjo Ribeiro, mas assinei isso com tranquilidade - não foi renunciar ao cargo de senador da República, em que fui, por quatro anos, um dos cinco melhores senadores do País. Mas foi não pagar a RGA do nosso Estado, pois eu sei a importância disso para vocês”, afirmou.

No entanto, Taques declarou que, diante das dificuldades encontradas por sua gestão, não se arrepende de não ter concedido integralmente a RGA, de 11,28%.

“Tomei essa decisão e não me arrependo dela. Nós precisamos parar de fazer politicalha, administrar o Estado com responsabilidade. Eu não tenho o objetivo de agradar meia dúzia de pessoas. Fui eleito para fazer o que precisa ser feito”, disse Taques, que ressaltou ter orgulho de ser servidor público desde os 22 anos.

Estado “roubado”

Ainda em seu discurso, Taques relembrou o passado e afirmou que encontrou um Estado "roubado" pelo Governo de Silval Barbosa (PMDB).

“Pegamos esse Estado roubado. Nunca vi as pessoas levantarem a voz para isso. Nunca vi as pessoas deixarem de cumprimentar os ladrões que roubaram Mato Grosso”, afirmou, mostrando se descontentamento com a forma como é tratado.

O governador afirmou que, ao assumir o comando do Palácio Paiaguás, descobriu que era preciso ter paciência e fazer escolhas difíceis, em momentos conturbados.

“Para ser governador é preciso ter paciência, paciência, paciência, pois é preciso decidir qual o hospital regional vai receber o dinheiro no final do mês, diante da crise que estamos vivendo. É preciso decidir se contrata policiais militares ou técnicos para a atividade-meio. Sou eu que tenho que decidir. E eu decido, porque recebi o voto do cidadão mato-grossense, queiram sim ou não”, declarou.

Taques também declarou que todos precisam ser tolerantes.

“Nós vivemos tempos difíceis, de intolerância e impaciência. Agora, imaginem se um governador fosse impaciente, rancoroso?”, disse.

“Duas coisas me magoaram muito nesses dois anos. Um foi o não entendimento de alguns servidores que não entenderam o momento pelo qual estamos passando. O segundo momento foi a corrupção na Seduc [Secretaria de Estado de Educação], isso nos magoou muito. Só a nossa administração sabe o que passamos e sentimos com isso. É muito grave”, pontuou.

Créditos: Mídia News
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