Em Mato Grosso, 50 cidades não têm delegado e profissionais se revezam

Das 141 cidades de Mato Grosso, 50 não possuem delegado e as ocorrências policiais registradas estão sendo atendidas por profissionais dos municípios vizinhos. Atualmente, são 234 delegados em atuação no Estado. O Sindicato dos Delegados de Polícia de Mato Grosso (Sindepo) aponta que o efetivo ideal para atender a demanda seria de 400 profissionais.
No último dia 17, a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) informou que o concurso, cujo edital foi lançado na semana passada, deve suprir o déficit.
Em Sorriso (420 km de Cuiabá), há um delegado para atender 66.521 habitantes. Lá, seriam necessários, no mínimo, três profissionais, segundo o Sindepo. 
A conta, de acordo com os sindicalista, é de um delegado para 20 mil habitantes, aproximadamente, dependendo da logística.
Aa região Nordeste de Mato Grosso tem quatro delegados para atender aproximadamente 12 municípios, entre eles Confresa (1.160 km de Cuiabá), onde fica a Delegacia Regional.
"No caso de Confresa, por exemplo, os municípios são muito distantes e as estradas são de terra. Então, para o delegado responder por dois municípios, tem que viajar de 100 a 200 quilômetros em estrada de chão, o que demora cerca de quatro horas. Fica difícil acumular unidades", afirmou o presidente do Sindepo, Wagner Bassi Júnior.
O número de cidades sem profissionais foi informado pelo delegado geral da Polícia Civil, Fernando Pigozzi, na publicação do edital de concurso para cadastro de reserva da Polícia Civil. A corporação aponta, além do déficit, que alguns delegados devem se aposentar este ano, o que desfalcará ainda mais o número.
Conforme o sindicato, pelo menos 20 delegados estariam em condições de se aposentar.
"A reforma na previdência causou temor em muitos profissionais que ainda não pretendiam se aposentar, mas que vão acelerar a mudança com medo de alteração nas regras", contou Wagner.
Falta de estrutura
Além da falta de delegados, há precariedade em outros setores, conforme o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Polícia Civil de Mato Grosso (Siagespoc), Cledison Gonçalves. Ele cita, como exemplo, a falta de carros adequados, principalmente, nos municípios sem asfalto.
"Em Alta Floresta, Juína, Confresa, e na região Norte, as estradas são de chão e as delegacias teriam que ter caminhonetes, mas a maioria tem carros baixos. No período de chuvas as estradas ficam praticamente intrasitáveis", explicou Gonçalves.
Segundo ele, as armas também deveriam ser melhores. "Hoje, a polícia trabalha com pistola, enquanto os bandidos usam fuzis, principalmente essas quadrilhas do Novo Cangaço [de assalto a banco]", declarou.
Há 20 anos, conforme o sindicalista, o governo fez um levantamento informando que seriam necessários 400 delegados, 1.200 escrivães e 4.000 investigadores. "O governo disse à época que esse seria esse efetivo, mas até agora não chegamos a esse número", lamentou.
Outro lado 
Por meio de nota, a Sesp informou que publicou um edital de abertura de concurso público para formação de cadastro de reserva para o cargo de delegado de Polícia substituto da Polícia Civil.
De acordo com a assessoria de imprensa, o número de delegados empossados será suficiente para suprir o déficit de Mato Grosso.
Da Redação Repórter MT
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