“Espero que saia logo; então decidirei se ele volta ao Governo”

O governador Pedro Taques (PSDB) não descarta o retorno do secretário afastado da Casa Militar, coronel Evandro Lesco, ao comando da Pasta, caso ele deixe a prisão.

Lesco está preso desde o dia 23 de junho por determinação do desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, acusado de participação no esquema de escutas clandestinas operado pela Polícia Militar no Estado.

“O coronel Lesco está afastado da chefia da Casa Militar. Tem um ato administrativo meu que o afastou, foi publicado no Diário Oficial. (Se ele sair da prisão) Aí vamos analisar se ele volta ao Governo, não vou jantar antes de almoçar. Espero que ele saia logo da prisão e aí vou decidir”, afirmou Taques.

A declaração foi dada na manhã desta terça-feira (18), em entrevista concedida à Rádio Capital FM.

Acho que no Brasil estamos vivendo um momento em que um cidadão que é investigado já é culpado, um cidadão é processado, ele já é culpado. Nós temos que obedecer o contraditório, a ampla defesa

Na oportunidade, o governador reiterou os motivos que o levaram a não afastar Lesco de suas funções antes de a prisão do coronel ser decretada.

“Acho que no Brasil estamos vivendo um momento em que um cidadão que é investigado já é culpado, um cidadão é processado, ele já é culpado. Nós temos que obedecer o contraditório, a ampla defesa, temos que dar a esse cidadão o direito constitucional”, disse.

“Tem um decreto que diz que ficha suja não pode ser secretário. Não diz investigado. Avaliei e entendi que não [precisava afastar]. Aliás, eu li algumas peças sobre a ‘grampolândia pantaneira’ como aí tem sido dito, e entendi dessa forma”, afirmou.

Taques disse também que não tem o hábito de julgar quaisquer pessoas antes do momento correto.

Segundo ele, é preciso que as investigações sejam concluídas antes de qualquer avaliação.

Defesa de ex-secretário

Ainda durante a entrevista, o governador saiu em defesa do ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques.

“O então secretário Paulo Taques me comunicou dizendo que existia uma pessoa [Tatiane Sangalli] que estaria mantendo relações com João Arcanjo Ribeiro. Pedi ao Mauro Zaque [então secretário de Segurança] e ao Fabio Galindo [adjunto de Segurança] que comparecessem ao meu gabinete. O Paulo Taques a eles relatou o ocorrido e o Zaque pediu para procurar a doutora Alessandra Saturnino, que era delegada da Sesp [Secretaria de Segurança]. Ele a procurou e contou o caso pra ela”, disse.  

“Agora, qual a suspeita sobre o Paulo Taques? Ele vai pedir para uma delegada fazer grampo? Quer dizer que se pedisse para delegada assaltar banco, matar alguém, ela iria fazer isso? Ele cumpriu o papel constitucional dele, de cidadão, comunicou o fato e fez denuncia na Sesp. A Sesp é que toca a investigação”, afirmou o governador.

Taques disse que lhe causa “estranheza” o fato de as pessoas acreditarem que as afirmações feitas pelo promotor Mauro Zaque – que denunciou o esquema de grampos – serem tomadas como verdadeiras, e as do Governo, como mentiras.

“O que me causa espécie e estranheza é que parece que tudo que nós falamos não é verdade. O que os outros falam é verdade. Isso precisa ser debatido com imparcialidade”, afirmou.

“Quem cometeu ato ilícito tem que ser responsabilizado. Eu não cometi, não mandei cometer e isso vai aparecer no momento correto. Isso tem que ser dito. Quem cometeu ato ilícito tem que ser responsabilizado, faz parte do jogo democrático”, concluiu Taques.

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