PF: pousada no Manso era "fachada" para lazer da organização

A Polícia Federal informou que a Pousada Paraíso, no Lago do Manso, era usada como “fachada” para a lavagem de dinheiro e lazer dos líderes do grupo alvo da Operação Status, deflagrada na manhã desta sexta-feira (11) em Mato Grosso e outros quatro Estados.

A ação também ocorreu nas cidades paraguaias de Assunção e Pedro Juan Caballero.

O dono da pousada, Tairone Conde Costa, foi preso em Cuiabá. Além dele também foram presas outras três pessoas em Campo Grande (MS).

Na propriedade no Manso, os agentes apreenderam lanchas, motos aquáticas e quadricíclos. Também foram alvos de buscas e apreensão a residência dele na Capital e a loja de veículos de luxo “Classe A Motors”, instalada na Avenida Fernando Correa da Costa.

A operação investiga lavagem de dinheiro e tráfico de drogas no Brasil e no Paraguai. Estão sendo sequestrados mais de R$ 230 milhões que seriam fruto do crime.

De acordo com o delegado Lucas Vilela, a pousada nunca serviu como hotelaria e hospedagem para turistas. Seu uso era exclusivamente para o lazer dos alvos da operação.

“Era onde eles costumavam passar férias e ter momentos de lazer. Era uma casa de campo. Em 2017 inclusive, foi realizada uma festa de aniversário do líder da organização, que contou com a contratação de uma dupla sertaneja famosa”, explicou o delegado.

Quanto à loja “Classe A Motors”, Vilela explicou que realmente funcionava como uma loja de vendas, mas que durante as investigações concluíram que parte do capital da empresa era ilícito.

taironeApesar disso, a Polícia não identificou Tairone como parte da liderança da organização criminosa. O papel dele no esquema ainda não foi identificado.

Os “cabeças” foram identificados como sendo três pessoas - pai e dois filhos -, que são moradores de Campo Grande (MS).

“Os líderes não se aproximaram do dinheiro, tudo era feito pelos doleiros. Abriram empresas de fachadas, abertas contas que eram movimentadas pelos doleiros. A rotina consiste nos laranjas passarem o dia fazendo depósito para eles [doleiros] e posteriormente para a conta dos líderes”, disse.

Conforme a PF, também foram confiscadas duas fazendas em Barra do Garças, que pertenceriam à família. Outros dois mandados de buscas e apreensão foram cumpridos em Primavera do Leste, mas os locais não foram divulgados.

Todo esquema foi desvendado e a lavagem aconteciam, segundo a PF, através da construção, reforma, aparelhamento e aquisição de móveis para os imóveis adquiridos pela organização criminosa.

Entenda

No Brasil estão sendo sequestrados e apreendidos 42 imoveis, duas fazendas, 75 veículos, embarcações e aeronaves, cujos valores somados atingem os R$ 80 milhões em patrimônio adquirido pelos líderes.

Somente em solo paraguaio, estão sendo sequestrados 10 imóveis no valor aproximado de R$ 150 milhões. Lá também ocorre o cumprimento de quatro mandados de prisão preventiva e busca e apreensão em coordenação com a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai, em doze locais nas cidades de Assunção e Pedro Juan Caballero.

O esquema criminoso investigado tinha como ponto principal a lavagem de dinheiro do tráfico de cocaína, por meio de empresas de “laranjas” e empresas de fachada, dentre as quais havia construtoras, administradoras de imóveis, lojas de veículos de luxo, dentre outras.

A estrutura, especializada na lavagem de grandes volumes de valores ilícitos, também contava com uma rede de doleiros sediados no Paraguai, com operadores em cidades brasileiras como Curitiba, Londrina, São Paulo e Rio de Janeiro.

Veja o vídeo do delegado da PF sobre a operação:


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